Tendências do comércio internacional de bens (janeiro-março de 2026)
A Secretaria-Geral da ALADI, com o objetivo de apoiar a tomada de decisões dos atores econômicos da região, desenvolve indicadores que descrevem e antecipam o comportamento tanto do comércio intrarregional quanto do comércio dos países-membros com o resto do mundo.
Principais variáveis que influem na evolução do comércio internacional de bens dos países-membros da ALADI
O comércio internacional de bens entre os países-membros da ALADI está condicionado pela evolução da atividade econômica, tanto intrarregional quanto com seus principais parceiros extrarregionais, pelos preços internacionais dos produtos básicos, pela dinâmica dos preços internos, pelas flutuações nas taxas de câmbio e pelas tensões comerciais e geopolíticas.
A seguir, apresentamos uma síntese do comportamento registrado no trimestre pelas principais variáveis.
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Atividade econômica nos países-membros da ALADI
O cenário econômico internacional em 2026 continua sendo caracterizado por um elevado nível de incerteza, em um contexto marcado pelo conflito bélico no Oriente Médio, pela volatilidade dos mercados financeiros e pelos riscos associados à evolução dos preços das matérias-primas e às condições do comércio internacional.
Os indicadores de incerteza econômica refletem um aumento significativo da percepção de risco. No primeiro trimestre de 2026, o índice correspondente à América Latina e ao Caribe atingiu 235,2 pontos (base média 2017=100), enquanto que nos Estados Unidos ficou em 262,0 pontos, o que evidencia um entorno internacional de maior incerteza.
Embora a economia mundial tenha demonstrado capacidade de adaptação diante dos shocks registrados nos últimos anos, o Fundo Monetário Internacional alerta que as perspectivas continuam sujeitas a riscos de revisão em baixa decorrentes da evolução dos conflitos geopolíticos, das condições financeiras internacionais e de uma maior fragmentação da economia mundial.
De acordo com as projeções do Fundo Monetário Internacional, a economia mundial cresceria 3,1% em 2026, abaixo de 3,4% registrados em 2025, para acelerar levemente até 3,2% em 2027.
Para a América Latina e o Caribe, prevê-se um crescimento de 2,3% em 2026, ligeiramente inferior a 2,4% de 2025, com uma aceleração para 2027. As perspectivas continuam sendo heterogêneas entre as economias da região. Nesse contexto, o conflito no Oriente Médio poderia favorecer o desempenho dos países exportadores líquidos de energia e alimentos, embora também aumente a incerteza sobre a evolução da economia mundial.
Nos países-membros da ALADI, as projeções do Fundo Monetário Internacional para 2026 mostram um comportamento heterogêneo. Entre as principais economias da região, a Argentina cresceria 3,5%, o Brasil 1,9% e o México 1,6%. Da mesma forma, o Chile (2,4%), a Colômbia (2,3%), o Equador (2,5%), o Panamá (3,8%), o Paraguai (4,2%), o Peru (2,8%) e o Uruguai (1,8%) registrariam taxas de crescimento positivas, enquanto que, para a Bolívia, o organismo projeta uma variação do PIB de -3,3%.
As expectativas de crescimento levantadas pelos bancos centrais entre analistas econômicos e instituições financeiras são, em termos gerais, consistentes com as projeções do Fundo Monetário Internacional, embora, em alguns casos, reflitam uma visão mais cautelosa sobre a evolução prevista para 2026. As diferenças mais significativas são observadas na Argentina, no México e no Uruguai, onde as previsões privadas são inferiores às do FMI. No Brasil, ambas as estimativas praticamente coincidem, enquanto, para o Peru, as expectativas privadas situam-se ligeiramente acima das do organismo internacional.
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Evolução dos preços internacionais das matérias-primas
Durante o primeiro trimestre de 2026, os preços internacionais reais das matérias-primas registraram um aumento de 13,8% em relação ao trimestre anterior e de 10,9% em comparação com o mesmo período de 2025. Essa evolução foi impulsionada principalmente pelo aumento dos preços dos combustíveis e pelo desempenho favorável dos metais, em um contexto internacional caracterizado por maiores tensões geopolíticas e elevada incerteza.
O comportamento foi heterogêneo entre as diferentes categorias de produtos. As variações apresentadas correspondem a preços ajustados pela inflação dos Estados Unidos. Nesse contexto, os alimentos e as matérias-primas agrícolas registraram quedas interanuais de 7,0% e 6,5%, respectivamente, apesar de apresentarem aumentos em relação ao trimestre anterior.
Por sua vez, os metais preciosos registraram o maior aumento interanual (71,1%), seguidos pelos adubos (22,3%) e pelos metais básicos (17,1%). Os combustíveis aumentaram 21,7% em relação ao trimestre anterior, embora na comparação interanual seu preço tenha permanecido praticamente estável (-0,9%).
| Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %) |
| Média out.-dez./2025 - jul.-set./2025 | Média out.-dez./2025 - out.-dez./2024 | Média ano 2025 - ano 2024 |
| Total | 2,1 | -1,3 | -1,4 |
| Alimentos e bebidas | -1,4 | -9,2 | -4,6 |
| Produtos agrícolas | -1,6 | -8,9 | -4,6 |
| Metais básicos | 9,2 | 8,3 | -0,6 |
| Metais preciosos | 21,1 | 53,0 | 39,4 |
| Fertilizantes | -1,9 | 11,8 | -0,9 |
| Combustíveis | -6,3 | -17,4 | -11,5 |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e Bureau of Labour Statistics. |
Embora esses números reflitam a evolução observada entre janeiro e março, as informações disponíveis durante o segundo trimestre sugerem um cenário menos favorável. A persistência das tensões no Estreito de Ormuz aumentou os custos energéticos e gerou pressões sobre as cadeias de suprimentos, o que poderia se traduzir em aumentos nos preços de outras matérias-primas nos próximos meses.
Nesse contexto, as diminuições interanuais observadas em alguns produtos durante o primeiro trimestre devem ser interpretadas com cautela visto que a evolução mais recente dos mercados internacionais aponta para um aumento das pressões sobre os preços.
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Evolução das taxas de câmbio
Durante o primeiro trimestre de 2026, as condições financeiras internacionais continuaram marcadas por um entorno de elevada incerteza, associado a fatores geopolíticos e à evolução da política monetária nas principais economias. Nesse contexto, o Federal Reserve dos Estados Unidos manteve uma postura monetária restritiva, enquanto o Banco Central Europeu preservou um enfoque dependente dos dados, ajustando suas decisões de política monetária de acordo com a evolução da inflação e da atividade econômica.
Nos países-membros da ALADI, a maioria das moedas se valorizou em relação ao dólar estadunidense em comparação com o quarto trimestre de 2025. As maiores valorizações foram registradas no Chile (-5,3%) e no Paraguai (-5,3%), seguidos pelo México (-4,1%), Colômbia (-3,4%), Brasil (-2,4%), Uruguai (-1,4%) e Argentina (-0,9%). Pelo contrário, o bolívar venezuelano se desvalorizou 67,7% no mesmo período.
Na comparação interanual, a valorização também predominou na região. Paraguai (-17,1%), México (-14,0%), Colômbia (-11,8%), Brasil (-10,2%), Uruguai (-9,2%), Peru (-8,4%) e Chile (-8,1%) registraram as maiores variações em relação ao dólar. Por sua vez, o peso argentino apresentou uma desvalorização interanual de 34,5%, enquanto o bolívar venezuelano acumulou uma desvalorização de 544,0%.
A evolução das taxas de câmbio durante o trimestre refletiu um fortalecimento da maioria das moedas da região em relação ao dólar estadunidense, embora tenham persistido diferenças significativas entre os países.
| Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %) |
| País ou região | Média out.-dez./2025 - jul.-set./2025 | Média out.-dez./2025 - out.-dez./2024 | Média ano 2025 - ano 2024 |
| Argentina | 8,1 | 43,4 | 35,7 |
| Bolívia | 0,0 | 0,0 | 0,0 |
| Brasil | -1,1 | -7,4 | 4,0 |
| Chile | -2,5 | -2,7 | 0,9 |
| Colômbia | -4,6 | -12,0 | -0,3 |
| Cuba | 0,0 | 0,0 | 0,0 |
| México | -1,8 | -8,8 | 5,1 |
| Paraguai | -5,7 | -11,5 | -0,1 |
| Peru | -4,0 | -9,7 | -4,9 |
| Uruguai | -1,1 | -6,8 | 2,5 |
| Venezuela | 70,5 | 426,8 | 238,4 |
| China | -0,8 | -1,4 | -0,2 |
| Zona Euro | 0,0 | -8,2 | -4,0 |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados dos Bancos Centrais e Institutos de Estatísticas dos países-membros. |
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O comportamento dos preços ao consumidor
O aumento dos preços das matérias-primas e as disrupções nas cadeias de suprimento geraram maiores pressões sobre a inflação em nível mundial. Nesse contexto, o Fundo Monetário Internacional projeta que a inflação global ficará em 4,4% em 2026, acima dos 4,1% registrados em 2025, para depois se moderar para 3,7% em 2027. As economias emergentes e em desenvolvimento continuariam registrando taxas de inflação superiores às das economias avançadas.
Nos países-membros da ALADI, a evolução dos preços ao consumidor durante o primeiro trimestre de 2026 apresentou comportamentos diferenciados. Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai registraram uma desaceleração da inflação interanual com respeito a março de 2025. Em particular, a Argentina reduziu sua inflação interanual de 55,9% para 32,6%, embora tenha continuado registrando a taxa mais elevada da região, atrás apenas da Venezuela.
Pelo contrário, a Bolívia registrou uma inflação interanual de 15,1%, superior à observada um ano antes (14,6%), enquanto a Colômbia manteve uma taxa praticamente estável (5,6% contra 5,1%). O México e o Peru apresentaram uma aceleração da inflação em relação ao final de 2025, enquanto o Equador e o Panamá continuaram entre as economias com os menores níveis de inflação da região. Por sua vez, a Venezuela manteve uma dinâmica diferenciada, com uma inflação interanual de 649,5% em março de 2026.
Embora durante o primeiro trimestre tenha predominado uma moderação da inflação em vários países da ALADI, as informações disponíveis para o segundo trimestre indicam um aumento das pressões inflacionárias associadas ao encarecimento da energia e de outras matérias-primas. Consequentemente, a trajetória observada entre janeiro e março poderá ser condicionada pela evolução dos custos energéticos e sua eventual transmissão aos preços ao consumidor nos meses seguintes.
| Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %) |
| Descrição da série | Dez. 2025 | Set.2025 | Dez.2024 |
| Argentina | 31,5 | 31,8 | 117,8 |
| Bolívia | 20,4 | 23,3 | 10,0 |
| Brasil | 4,3 | 5,2 | 4,8 |
| Chile | 3,5 | 4,4 | 4,5 |
| Colômbia | 5,1 | 5,2 | 5,2 |
| Cuba | 32,3 | 32,3 | 32,3 |
| Equador | 1,9 | 0,7 | 0,5 |
| México | 3,7 | 3,8 | 4,2 |
| Panamá | 0,4 | -0,4 | -0,2 |
| Paraguai | 3,1 | 4,3 | 3,8 |
| Peru | 1,5 | 1,4 | 2,0 |
| Uruguai | 3,7 | 4,3 | 5,5 |
| Venezuela | n/d | n/d | n/d |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados dos Bancos Centrais e Institutos de Estatísticas dos países-membros. |
Exportação de bens dos países-membros da ALADI
O Indicador Oportuno das Exportações Totais de Bens da ALADI — que mede a evolução em dólares das vendas externas dos treze países-membros para o mundo— registrou um crescimento interanual de 14,1% na média do trimestre de janeiro – março de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
Em termos dessazonalizados, las exportações aumentaram 3,6% em relação à média do trimestre de outubro – dezembro de 2025, consolidando o crescimento das vendas externas no início de 2026.
Importações de bens dos países-membros da ALADI
O Indicador Oportuno das Importações Totais de Bens da ALADI teve um crescimento interanual de 11,2% na média do trimestre janeiro-março de 2026 com respeito ao mesmo período de 2025.
Em termos dessazonalizados, as importações aumentaram 2,3% em relação à média do trimestre outubro-dezembro de 2025, mantendo uma trajetória positiva no início de 2026.
Comércio intrarregional
O Indicador Oportuno de Comércio Intrarregional de Bens da ALADI registrou um crescimento interanual de 6,8% na média do trimestre de janeiro a março de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
Ademais, em termos dessazonalizados, houve um aumento de 6,1% em relação à média do trimestre de outubro-dezembro de 2025, o que reflete um fortalecimento do comércio entre os países-membros no início de 2026.
Conclusões
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Crescimento econômico: Em 2026, a economia mundial cresceria 3,1%, enquanto para a América Latina e o Caribe está projetado um crescimento de 2,3%. As perspectivas continuam se desenvolvendo em um contexto de elevada incerteza, condicionado pelo conflito no Oriente Médio, pelas condições financeiras internacionais e por uma maior fragmentação da economia mundial.
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Preços das matérias-primas: Os preços reais das matérias-primas aumentaram 13,8% em relação ao trimestre anterior e 10,9% em comparação com o mesmo período de 2025, impulsionados principalmente pelos combustíveis e pelos metais. As informações disponíveis para o segundo trimestre apontam para maiores pressões sobre os mercados de energia e de adubos.
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Taxas de câmbio: Predominou a valorização da maioria das moedas da região em relação ao dólar estadunidense, enquanto o bolívar venezuelano continuou se desvalorizando. A evolução dos mercados cambiais continua condicionada pelo entorno financeiro e geopolítico internacional.
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Inflação: A inflação interanual moderou-se em vários países da ALADI. No entanto, o recente aumento dos preços da energia e de outras matérias-primas poderia gerar maiores pressões inflacionárias nos próximos meses.
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Comércio de bens: Os Indicadores Oportunos de Comércio da ALADI apresentaram uma evolução favorável. Em comparação com a média do mesmo período de 2025, as exportações cresceram 14,1%, as importações aumentaram 11,2% e o comércio intrarregional se expandiu 6,8%. Em termos dessazonalizados, as três variáveis também avançaram em relação à média do trimestre outubro a dezembro de 2025 (3,6%, 2,3% e 6,1%, respectivamente), confirmando a continuidade do crescimento do comércio de bens no início de 2026.
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Comércio intrarregional: O comércio intrarregional cresceu 0,2% interanual no quarto trimestre e caiu 3,2% em termos dessazonalizados. Embora a média anual tenha sido positiva (6,2%), o encerramento de 2025 evidenciou uma perda de dinamismo relativo em relação ao comércio extrarregional.
Dados de gráficos e tabelas
Metodologia e outros documentos
Cápsula de Aprendizagem: Como e para que construímos nossos indicadores oportunos?
Nesta cápsula de aprendizagem explicamos o processo de construção dos indicadores oportunos de exportações, importações e comércio exterior, e também como devem ser interpretados.