- 1. Principais variáveis que influem na evolução do comércio internacional de bens dos países-membros da ALADI
- 2. Exportação de bens dos países-membros da ALADI
- 3. Importações de bens dos países-membros da ALADI
- 4. Comércio intrarregional
- 5. Conclusões
- 6. Dados de gráficos e tabelas
- 7. Metodologia e outros documentos
Tendências do comércio internacional de bens (abril- junho de 2026)
A Secretaria-Geral da ALADI, com o objetivo de apoiar a tomada de decisões dos atores econômicos da região, desenvolve indicadores que descrevem e antecipam o comportamento tanto do comércio intrarregional quanto do comércio dos países-membros com o resto do mundo.
O comércio internacional de bens entre os países-membros da ALADI está condicionado pela evolução da atividade econômica, tanto intrarregional quanto com seus principais parceiros extrarregionais, pelos preços internacionais dos produtos básicos, pela dinâmica dos preços internos, pelas flutuações nas taxas de câmbio e pelas tensões comerciais e geopolíticas.
A seguir, apresentamos uma síntese do comportamento registrado no trimestre pelas principais variáveis.
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Atividade econômica nos países-membros da ALADI
Atividade econômica nos países-membros da ALADI
O cenário econômico internacional durante o segundo trimestre de 2026 continuou se desenvolvendo em um ambiente de elevada incerteza, embora com uma moderação em relação aos níveis registrados durante o primeiro trimestre. O índice de incerteza econômica da ALADI diminuiu de 235,2 no primeiro trimestre para 184,8 no segundo trimestre de 2026, em consonância com a tendência observada no indicador mundial, que passou de 228,0 para 193,7, e no dos Estados Unidos, que diminuiu de 262,0 para 220,0.
No plano macroeconômico global, as perspectivas do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram uma mudança na avaliação do cenário internacional entre abril e julho de 2026. Em abril, o órgão alertava sobre os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços das matérias-primas, a inflação e as condições financeiras, e projetava um crescimento mundial de 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027, com riscos claramente voltados para a queda. A atualização de julho apresenta uma avaliação um pouco mais favorável. Embora o FMI tenha reduzido a projeção de crescimento mundial para 2026 de 3,1% para 3,0%, elevou a correspondente a 2027 de 3,2% para 3,4% e considera que os riscos estão agora mais equilibrados em relação ao observado em abril passado. Essa revisão reflete uma maior resiliência da atividade econômica e o impulso associado ao investimento e à demanda ligados ao setor tecnológico, que compensam parcialmente os efeitos adversos das tensões geopolíticas e dos custos mais elevados da energia.
| Tabela 1. Projeções de crescimento do PIB do FMI para 2026 (abril vs. julho de 2026) (em %) | |||
|---|---|---|---|
| País ou Região | Projeção Abril de 2026 | Projeção Julho de 2026 | Variação (pp) |
| Mundo | 3,1 | 3,0 | -0,1 |
| Estados Unidos | 2,3 | 2,3 | 0,0 |
| Zona Euro | 1,1 | 0,9 | -0,2 |
| China | 4,4 | 4,6 | +0,2 |
| Índia | 6,5 | 6,4 | -0,1 |
| América Latina e Caribe | 2,3 | 2,4 | +0,1 |
| Argentina | 3,5 | 3,5 | 0,0 |
| Brasil | 1,9 | 2,4 | +0,5 |
| México | 1,6 | 1,2 | -0,4 |
| Fonte: Elaboração própria com base em FMI (Perspectivas da Economia Mundial, abril 2026; e Atualização WEO, julho 2026). | |||
O crescimento mundial projetado para 2026 permanece abaixo do registrado em 2024 e 2025, ambos de 3,3%. Entre os principais parceiros fora da região, a China registrou uma revisão em alta de sua projeção de crescimento para 2026, de 4,4% para 4,6%, enquanto a projeção para a zona do euro foi reduzida de 1,1% para 0,9%. A projeção para os Estados Unidos manteve-se em 2,3%, e a da Índia diminuiu levemente de 6,5% para 6,4%. Para a América Latina, o FMI elevou a projeção de crescimento de 2,3% para 2,4% para 2026. O Brasil registrou a maior revisão em alta, de 1,9% para 2,4%, enquanto a do México foi revisada em baixa, de 1,6% para 1,2%. Na Argentina, a projeção permaneceu em 3,5%.
Nos países-membros da ALADI, as expectativas do mercado levantadas pelos bancos centrais mostram em junho uma previsão de média de crescimento de 1,9% para 2026 significativamente mais baixa que a do FMI. Durante o trimestre observaram-se melhoras nas expectativas para Brasil, Argentina e Peru.
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Evolução dos preços internacionais das matérias-primas
Evolução dos preços internacionais das matérias-primas
No segundo trimestre de 2026, os preços reais das matérias-primas selecionadas aumentaram 4,8% em relação ao trimestre anterior e 22,7% em termos interanuais. Os maiores aumentos interanuais corresponderam aos metais preciosos (36,5%) e aos metais básicos (25,2%), enquanto os alimentos e bebidas e os produtos agrícolas registraram quedas.
| Tabela 2. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %) | |||
|---|---|---|---|
| Média Abr.-jun./2026 - Jan.-mar./2026 | Média Abr.-jun./2026 - Out.-dez./2025 | Média Abr.-jun./2026 - Abr.-jun./2025 | |
| Total | 4,8 | 19,3 | 22,7 |
| Alimentos e bebidas | -1,0 | 2,1 | -2,5 |
| Produtos agrícolas | 0,0 | 3,1 | -1,6 |
| Metais básicos | 2,3 | 10,1 | 25,2 |
| Metais preciosos | -9,8 | 6,8 | 36,5 |
| Fertilizantes | 12,9 | 17,0 | 34,2 |
| Combustíveis | 16,7 | 42,0 | 32,2 |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e Bureau of Labour Statistics. | |||
Na atualização de julho de 2026, o FMI revisou em alta suas projeções sobre os preços do petróleo, ao mesmo tempo que ajustou em baixa as projeções para as demais matérias-primas em relação às estimativas de abril. Além disso, a instituição elevou em 0,9 pontos percentuais sua projeção sobre o crescimento do volume do comércio mundial de bens e serviços, situando-o em 3,5% para este ano, o que representa uma desaceleração em comparação com 5,0% registrado no ano de 2025.
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Evolução das taxas de câmbio
Evolução das taxas de câmbio
Durante o segundo trimestre de 2026, as taxas de câmbio na região da ALADI apresentaram um comportamento heterogêneo. As maiores valorizações trimestrais foram observadas no Paraguai, no Brasil e na Colômbia, seguidas pelas da Argentina e do México. Em contrapartida, a Venezuela, o Uruguai, o Chile e o Peru registraram desvalorizações. Em termos interanuais, o Paraguai, a Colômbia, o México e o Brasil apresentaram as maiores valorizações, enquanto a Argentina e a Venezuela sofreram desvalorizações.
| Tabela 3. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %) | |||
|---|---|---|---|
| País o región | Media Abr.-jun./2026 - Jan.-mar./2026 | Media Jan.-mar./2026 - Out.-dez./2025 | Média Abr.-jun./2026 - Abr.-jun./2025 |
| Argentina | -1,0 | -1,8 | 22,5 |
| Bolívia | 0,0 | 0,0 | 0,0 |
| Brasil | -4,0 | -6,3 | -10,9 |
| Chile | 1,5 | -3,9 | -5,0 |
| Colômbia | -2,3 | -5,6 | -14,0 |
| Cuba | 0,0 | 0,0 | 0,0 |
| México | -1,0 | -5,1 | -11,0 |
| Paraguai | -5,6 | -10,6 | -22,5 |
| Peru | 1,2 | 1,2 | -6,3 |
| Uruguai | 2,6 | 1,2 | -3,7 |
| Venezuela | 34,7 | 125,8 | 482,6 |
| China | -1,6 | -4,1 | -5,8 |
| Zona Euro | 1,2 | 0,0 | -2,3 |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados dos Bancos Centrais e Institutos de Estatísticas dos países-membros. | |||
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O comportamento dos preços ao consumidor
O comportamento dos preços ao consumidor
Em junho de 2026, a inflação interanual apresentou um comportamento diverso entre os países-membros da ALADI. Quanto a março, moderou-se na Bolívia, no Equador, no México e na Venezuela, enquanto aumentou na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia, em Cuba, no Panamá, no Paraguai, no Peru e no Uruguai. Em relação a junho de 2025, a inflação diminuiu na Argentina, Bolívia, Brasil, México, Paraguai e Uruguai e aumentou no Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Panamá, Peru e Venezuela.
No âmbito mundial, o FMI destaca que o processo de desinflação foi temporariamente interrompido. A inflação mundial, de 4,1% em 2025, está projetada em 4,7% para 2026 e 3,9% para 2027, em um contexto marcado principalmente pelo aumento dos preços da energia e dos alimentos.
| Tabela 4. Variação anual dos preços ao consumidor (em %) | ||||
|---|---|---|---|---|
| Descrição da série | jun.2026 | mar.2026 | dez.2025 | jun.2025 |
| Argentina | 33,5 | 32,6 | 31,5 | 39,4 |
| Bolívia | 9,2 | 15,1 | 20,4 | 24,0 |
| Brasil | 4,6 | 4,1 | 4,3 | 5,4 |
| Chile | 4,3 | 2,8 | 3,5 | 4,1 |
| Colômbia | 6,1 | 5,6 | 5,1 | 4,8 |
| Cuba | 32,3 | 32,3 | 32,3 | 32,3 |
| Equador | 1,7 | 2,3 | 1,9 | 1,5 |
| México | 3,4 | 4,6 | 3,7 | 4,3 |
| Panamá | 2,3 | 0,8 | 0,4 | -0,4 |
| Paraguai | 2,1 | 1,9 | 3,1 | 4,0 |
| Peru | 4,0 | 3,8 | 1,5 | 1,7 |
| Uruguai | 4,3 | 2,9 | 3,7 | 4,6 |
| Venezuela | 534,2 | 649,5 | 475,3 | 179,0 |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados dos Bancos Centrais e Institutos de Estatísticas dos países-membros. | ||||
Exportação de bens dos países-membros da ALADI
O Indicador Oportuno das Exportações Totais de Bens da ALADI — aumentou 25,3% interanual no trimestre abril-junho de 2026. Em termos dessazonalizados, as exportações cresceram 11,5% com respeito a trimestre janeiro-março.
O Indicador Oportuno das Importações Totais de Bens da ALADI aumentou 17,8% interanual no segundo trimestre de 2026. Em termos dessazonalizados, as importações cresceram 6% com respeito do trimestre anterior.
O Indicador Oportuno de Comércio Intrarregional de Bens da ALADI aumentou 13,7% interanual no trimestre abril-junho de 2026. Em termos dessazonalizados, o crescimento alcançou 7,26% com respeito ao primeiro trimestre.
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Crescimento econômico: Para 2026, projeta-se um crescimento mundial de 3,0% e de 2,4% para a América Latina e o Caribe. A menor incerteza e o impulso dos investimentos em tecnologia e inteligência artificial compensam parcialmente os efeitos das tensões geopolíticas e dos custos mais elevados da energia. Nos países-membros da ALADI, as expectativas do mercado apontam para um crescimento médio de 1,9%.
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Preços das matérias-primas: Os preços reais aumentaram 4,8% em relação ao trimestre anterior e 22,7% interanual, impulsionados principalmente pelos metais preciosos e básicos. As tensões no Oriente Médio mantiveram as pressões sobre os mercados de energia e contribuíram para o aumento previsto da inflação mundial.
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Taxas de câmbio: A maioria das moedas da região valorizou-se em relação ao dólar durante o trimestre, com destaque para o Paraguai, o Brasil e a Colômbia, enquanto o Uruguai, o Chile e o Peru registraram desvalorizações. A Argentina e a Venezuela também se desvalorizaram em termos interanuais.
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Inflação: A inflação interanual da ALADI ficou em 4,3% em junho de 2026, abaixo de 4,7% registrado um ano antes. Sua evolução foi heterogênea entre os países-membros. Em nível mundial, a desinflação estagnou temporariamente e projeta-se uma inflação de 4,7% para 2026, associada principalmente aos preços da energia e dos alimentos.
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Comércio de bens: O comércio de bens apresentou um dinamismo acentuado no segundo trimestre de 2026. Em comparação com o mesmo período de 2025, as exportações cresceram 25,3%, as importações 17,8% e o comércio intrarregional 13,7%. Em relação ao primeiro trimestre, os três indicadores também registraram avanços, confirmando a continuidade da expansão comercial da região.
Cápsula de Aprendizagem: Como e para que construímos nossos indicadores oportunos?
Nesta cápsula de aprendizagem explicamos o processo de construção dos indicadores oportunos de exportações, importações e comércio exterior, e também como devem ser interpretados.