- 1. Principais variáveis que influem na evolução do comércio internacional de bens dos países-membros da ALADI
- 2. Exportação de bens dos países-membros da ALADI
- 3. Importações de bens dos países-membros da ALADI
- 4. Comércio intrarregional
- 5. Conclusões
- 6. Dados de gráficos e tabelas
- 7. Metodologia e outros documentos
Tendências do comércio internacional de bens (julho- setembro de 2025)
A Secretaria-Geral da ALADI, com o objetivo de apoiar a tomada de decisões dos atores econômicos da região, desenvolve indicadores que descrevem e antecipam o comportamento tanto do comércio intrarregional quanto do comércio dos países-membros com o resto do mundo.
O comércio internacional de bens entre os países-membros da ALADI está condicionado pela evolução da atividade econômica, tanto intrarregional quanto com seus principais parceiros extrarregionais, pelos preços internacionais dos produtos básicos, pela dinâmica dos preços internos, pelas flutuações nas taxas de câmbio e pelas tensões comerciais e geopolíticas.
A seguir, apresentamos uma síntese do comportamento registrado no trimestre pelas principais variáveis.
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Atividade econômica nos países-membros da ALADI
Atividade econômica nos países-membros da ALADI
Após o aumento das tensões comerciais no início do segundo trimestre — captado por indicadores baseados em notícias que combinam referências à política econômica e termos associados à incerteza —, o panorama começou a melhorar no terceiro trimestre, quando esses indicadores registraram uma queda significativa. Essa queda esteve associada ao fato de que as tarifas finalmente aplicadas pelos Estados Unidos foram inferiores às anunciadas inicialmente, como resultado de sucessivas rodadas de negociação.
No entanto, os níveis de incerteza continuam sendo historicamente elevados, situando-se em faixas comparáveis às observadas durante a pandemia. O movimento de queda consolidou-se no último trimestre do ano, em paralelo à conclusão de vários acordos comerciais pela administração Trump com países da América Latina, Ásia e Europa. Entre eles, destacam-se os entendimentos alcançados com a Argentina, o Equador, a Guatemala e El Salvador; as reduções tarifárias acordadas com a China, o Japão e o Vietnã; e os acordos com o Reino Unido e o Japão, além de ajustes nas tarifas agrícolas e de produtos sensíveis (Casa Blanca, 2025). Em conjunto, essas decisões contribuem para moderar as tensões e melhorar as perspectivas para o final do ano e para 2026, ainda em um contexto de alta incerteza.
Neste âmbito, o FMI voltou a revisar em alta suas projeções de crescimento para a economia mundial para o ano de 2025. Em outubro, o FMI estimou que o crescimento mundial atingirá 3,2% em 2025, o que representa uma revisão em alta e 0,2 pontos percentuais, respectivamente, em relação ao previsto em julho de 2025. (IMF, World Economic Outlook, October 2025). No entanto, o crescimento global esperado ainda permanece abaixo de 3,3% registrado em 2024, confirmando um cenário de desaceleração moderada.
Para a América Latina e o Caribe, o FMI também revisou em alta suas projeções de crescimento para 2025, situando-as em 2,4%, um número semelhante ao do ano passado e ligeiramente superior a 2,3% previsto para 2026. Em nível de países, para 2025, projeta-se um crescimento de 2,4% para o Brasil, enquanto no México o produto aumentaria 1%. (IMF, 2025).
Em linha com o acima exposto, os analistas consultados pelos bancos centrais da região preveem para os países da ALADI um crescimento médio próximo a 2% em 2025.
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Evolução dos preços internacionais das matérias-primas
Evolução dos preços internacionais das matérias-primas
No terceiro trimestre de 2025, os preços internacionais das matérias-primas, em termos reais, cresceram 0,5% em média em relação ao trimestre anterior. Quando a comparação é feita com o mesmo trimestre do ano 2024, foi registrada uma queda real de 2,1%.
Assim como ocorreu durante o resto do ano, durante o trimestre o crescimento dos preços foi liderado pelo aumento dos preços dos metais preciosos, metais básicos e adubos, enquanto alimentos e bebidas e produtos agrícolas continuam apresentando uma contração real. Enquanto os combustíveis começaram a reduzir sua queda devido à chegada do inverno no hemisfério norte.
| Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %) | |||
|---|---|---|---|
| Média Jul.-set./2025 - Abr.-jun./2025 | Média Jul.-set./2025 - Out.-dez./2024 | Média Jul.-set./2025 - Jul.-set./2024 | |
| Total | 0,5 | -3,4 | -2,1 |
| Alimentos e bebidas | -3,5 | -8,2 | -4,9 |
| Produtos agrícolas | -3,1 | -7,5 | -4,6 |
| Metais básicos | 4,1 | -0,8 | 1,5 |
| Metais preciosos | 5,6 | 26,4 | 35,1 |
| Fertilizantes | 6,8 | 12,6 | 2,7 |
| Combustíveis | -0,6 | -11,8 | -13,1 |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e Bureau of Labour Statistics. | |||
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Evolução das taxas de câmbio
Evolução das taxas de câmbio
No segundo trimestre de 2025, o entorno econômico internacional esteve marcado pela desvalorização do dólar em relação ao euro e ao renminbi, tendência também refletida em diversas moedas da região ALADI.
Comparando as médias de abril a junho com as de janeiro a março de 2025, observam-se apreciações nas moedas do Brasil (-3,2%), México (-4,4%), Uruguai (-3,2%) e Peru (-1,1%). Em contrapartida, as desvalorizações persistiram em países como Argentina (+8,8%), Colômbia (+0,2%), Paraguai (+0,9%) e Venezuela (+48,8%), embora na maioria dos casos em ritmo mais moderado do que em trimestres anteriores.
| Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %) | |||
|---|---|---|---|
| País o región | Media Jul.-set./2025 -Abr.-jun./2025 | Média Jul.-set./2025 - Out.-dez./2024 | Média Jul.-set./2025 - Jul.-set./2024 |
| Argentina | 15,4 | 32,6 | 41,0 |
| Bolívia | 0,0 | 0,0 | 0,0 |
| Brasil | -3,9 | -6,4 | -1,9 |
| Chile | 1,3 | -0,2 | 3,0 |
| Colômbia | -4,5 | -7,7 | -2,1 |
| Cuba | 0,0 | 0,0 | 0,0 |
| México | -4,5 | -7,1 | -1,5 |
| Paraguai | -8,1 | -6,2 | -3,7 |
| Peru | -3,6 | -6,0 | -6,1 |
| Uruguai | -3,8 | -5,8 | -0,8 |
| Venezuela | 51,3 | 208,9 | 272,8 |
| China | -1,0 | -0,5 | -0,3 |
| Zona Euro | -2,3 | -8,2 | -5,7 |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados dos Bancos Centrais e Institutos de Estatísticas dos países-membros. | |||
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O comportamento dos preços ao consumidor
O comportamento dos preços ao consumidor
No encerramento do terceiro trimestre de 2025, a inflação interanual em setembro apresentou uma moderação na Eurozona e um ligeiro aumento nos Estados Unidos. No caso da China, os preços ao consumidor reduziram-se 0,3% quando comparados os últimos doze meses até setembro de 2025 com os preços de um ano atrás, refletindo problemas de fraqueza na demanda interna.
Nos países da ALADI, a inflação continuou apresentando um comportamento heterogêneo. Os preços em vários países mostraram sinais claros de desaceleração em relação ao ano anterior, com reduções significativas na Argentina e, em menor grau, na Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai. Em outros países, por outro lado, os preços aceleraram significativamente sua taxa de crescimento, como no caso da Bolívia, moderadamente no caso do Brasil e ligeiramente no caso do Paraguai e do Chile.
| Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %) | |||
|---|---|---|---|
| Descrição da série | Set.2024 | Dez.2024 | Set.2025 |
| Argentina | 209,0 | 117,8 | 31,8 |
| Bolívia | 6,2 | 10,0 | 23,3 |
| Brasil | 4,4 | 4,8 | 5,2 |
| Chile | 4,1 | 4,5 | 4,4 |
| Colômbia | 5,8 | 5,2 | 5,2 |
| Cuba | 32,3 | 32,3 | 32,3 |
| Equador | 1,4 | 0,5 | 0,7 |
| México | 4,6 | 4,2 | 3,8 |
| Panamá | -0,3 | -0,2 | -0,4 |
| Paraguai | 4,1 | 3,8 | 4,3 |
| Peru | 1,8 | 2,0 | 1,4 |
| Uruguai | 5,3 | 5,5 | 4,3 |
| Venezuela | 25,8 | n/d | n/d |
| Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados dos Bancos Centrais e Institutos de Estatísticas dos países-membros. | |||
Exportação de bens dos países-membros da ALADI
O Indicador Oportuno das Exportações Totais de Bens da ALADI registrou um aumento de 6,8% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024.
Uma vez eliminadas as variações sazonais, as exportações apresentaram um aumento de 4,2% em comparação com o segundo trimestre de 2025.
O Indicador Oportuno das Importações Totais de Bens da ALADI cresceu 8,1% no terceiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024.
Ao analisar o indicador ajustado sazonalmente, registrou-se um crescimento de 4% nas importações durante o período de julho a setembro de 2025, em comparação com o trimestre de abril a junho de 2025.
O Indicador Oportuno do Comércio Intrarregional de Bens da ALADI apresentou um crescimento de 9,2% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. Em termos dessazonalizados, o comércio intrarregional cresceu 1,2% em relação ao trimestre anterior.
- Crescimento econômico: A diminuição das tensões comerciais contribuiu para melhorar as perspectivas globais. O FMI projeta um crescimento mundial de 3,2% em 2025 e de 2,4% para a América Latina e o Caribe (IMF, 2025). Para os países da ALADI, os analistas preveem um crescimento médio próximo de 2%, com revisões em alta no México, Chile e Peru.
- Preços das matérias-primas: Os preços internacionais cresceram 0,5% em relação ao trimestre anterior, embora tenham caído 2,1% interanual. Os metais preciosos, os metais básicos e os adubos aumentaram, enquanto os alimentos, as bebidas e os produtos agrícolas continuaram em baixa. Os combustíveis moderaram sua queda.
- Taxas de câmbio: O dólar se desvalorizou em relação ao euro e ao renminbi. Na ALADI, observaram-se valorizações no Brasil, México, Uruguai, Peru, Colômbia e Paraguai, e desvalorizações acentuadas na Argentina e Venezuela.
- Inflação: A inflação moderou-se na zona do euro e caiu na China (-0,3%). Na ALADI, persiste um comportamento heterogêneo, com quedas importantes na Argentina e reduções no Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Peru e Uruguai, enquanto a Bolívia e Cuba mantiveram taxas elevadas.
- Exportações: As exportações totais de bens da ALADI cresceram 6,8% interanual e 4,2% dessazonalizado em relação ao trimestre anterior.
- Importações: As importações aumentaram 8,1% interanual e 4% em termos ajustados sazonalmente.
- Comércio intrarregional: O comércio intrarregional cresceu 9,2% interanual e 1,2% dessazonalizado.
Cápsula de Aprendizagem: Como e para que construímos nossos indicadores oportunos?
Nesta cápsula de aprendizagem explicamos o processo de construção dos indicadores oportunos de exportações, importações e comércio exterior, e também como devem ser interpretados.