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CAF impulsiona o diálogo regional sobre o futuro da Hidrovia Paraguai-Paraná

Fecha de publicación:

September 11, 2026

CAF impulsiona o diálogo regional sobre o futuro da Hidrovia Paraguai-Paraná

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Comunicado conjunto da CAF, o Ministério de Transporte e Obras Públicas do Uruguai e a ALADI, no âmbito da Jornada Internacional “A Hidrovia Paraguai-Paraná 2026-2040”, organizada pela CAF com o apoio institucional da ALADI.

Com o objetivo de promover a integração logística e comercial e impulsionar a competitividade, a CAF — Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe — organizou em Montevidéu sua Jornada Internacional “A Hidrovia Paraguai-Paraná 2026-2040”. O evento teve como objetivo promover o diálogo e construir consensos em torno dos principais desafios e oportunidades que essa hidrovia oferece à região.

O evento buscou destacar o caráter estratégico e logístico da Hidrovia para o desenvolvimento econômico da América do Sul, visto que conecta a Argentina, a Bolívia, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, permitindo que a região se torne mais competitiva. Mais de três décadas após a assinatura do Acordo de Santa Cruz de la Sierra, a via navegável enfrenta desafios em matéria de infraestrutura, financiamento e, principalmente, coordenação entre os países envolvidos.

O espaço de debate contou com a presença de autoridades governamentais, representantes de organismos internacionais e do setor privado, operadores logísticos e usuários da hidrovia e do banco. Durante o encontro, foram abordados temas como o desenvolvimento do transporte de cargas, a integração, a competitividade logística, o investimento e o financiamento do transporte hidroviário, bem como sua sustentabilidade a longo prazo.

Uma agenda regional com visão de longo prazo

O evento inscreveu-se no âmbito do Fórum Fluvial Sul-Americano, a plataforma permanente de reflexão, debate e geração de propostas para o desenvolvimento do transporte fluvial sul-americano que a CAF impulsiona em conjunto com o Instituto de Desenvolvimento Regional (IDR). Sua primeira edição teve lugar em agosto de 2024, no mesmo auditório de Montevidéu que sediou este evento, e deu origem à Carta de Montevidéu, um documento de consenso técnico e político com diretrizes estratégicas para o planejamento e a gestão sustentável das hidrovias sul-americanas. Em 2025, o encontro de Assunção avançou dos princípios para um roteiro com metas verificáveis por meio da Carta de Assunção e reuniu, pela primeira vez em um mesmo âmbito, os processos de dragagem e licitação dos trechos brasileiro, paraguaio e argentino, que abrangem mais de 2.000 quilômetros da via navegável. A Jornada Internacional “A Hidrovia Paraguai-Paraná 2026-2040” constitui o terceiro elo desse processo.

Integração, logística e competitividade

Durante a apresentação do fórum, Jorge Srur, Gerente Regional Cone Sul da CAF, lembrou que a instituição nasceu com um DNA de integração e destacou a importância desse encontro para conectar atores institucionais que também “fizeram da integração latino-americana um emblema de sua agenda” com as empresas e os operadores que movimentam a carga diariamente.

“A integração é algo que se faz antes de se declarar. Hoje, apenas 15% do comércio sul-americano é intrarregional, diante de 40% da União Europeia, e essa lacuna é preenchida pela logística: conectando, comercializando e coproduzindo. Para os próximos cinco anos, a CAF planejou um investimento de US$ 10 bilhões em projetos de integração regional pragmática, que apresentam resultados e metas verificáveis. Mas nenhum banco de desenvolvimento leva adiante uma hidrovia sozinho: a competitividade desse corredor é definida pela articulação entre o setor público, que estabelece as regras e garante as condições de navegação, e o setor privado, que investe, opera e assume o risco. Hoje também pretendemos passar do discurso à ação, e este fórum é uma oportunidade para continuar identificando projetos concretos que esperamos poder acompanhar e financiar”, declarou Srur.

O desafio de uma logística multimodal

Por sua vez, Claudia Peris, Subsecretária do Ministério dos Transportes e Obras Públicas, também destacou a importância de trabalhar de forma interinstitucional e com uma visão multifocal.

“Há duas décadas, nossas rotas tinham 8 milhões de toneladas por ano; hoje, são 40 milhões. O volume se multiplicou por cinco em apenas 20 anos. Além da boa notícia de que a produção aumentou e, portanto, a economia, isso nos coloca diante de um desafio ainda maior: fazer com que essa multimodalidade funcione. Essa hidrovia, que conecta o interior do continente ao Oceano Atlântico, nos coloca na porta de entrada e saída. Portanto, temos também uma dupla responsabilidade. Buscamos que isso seja cada vez mais eficiente e que combine todos os meios de transporte — ferroviário, fluvial, marítimo e rodoviário —, de modo que todos eles tornem mais eficiente o transporte de mercadorias e da produção, pois isso repercute em cada localidade e em cada emprego que geramos. É isso que queremos para nossos povos”, afirmou.

O apoio institucional da ALADI

A Jornada Internacional foi convocada pela CAF, com a coordenação do Fórum Fluvial Sul-Americano e o apoio institucional da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). O órgão, criado pelo Tratado de Montevidéu 1980, promove a integração econômica regional a fim de avançar para o estabelecimento gradual de um mercado comum latino-americano e desenvolve ações em matéria de facilitação do comércio, integração física, logística e transporte internacional. É, ainda, depositária do Acordo de Transporte Fluvial pela Hidrovia Paraguai-Paraná, entre o Porto de Cáceres e o Porto de Nova Palmira, o instrumento jurídico que sustenta o corredor.

A visão da ALADI sobre a Hidrovia

Sergio Abreu, Secretário-Geral da ALADI, destacou que “temos que desenvolver um pensamento estratégico baseado na competitividade, além da produtividade. O futuro pertencerá aos mares, ao transporte marítimo. A hidrovia hoje não é apenas um elemento de competitividade, mas também um elemento de integração social. Se não houver investimento, não há comércio; se não houver comércio, não há emprego; se não houver emprego, não há paz social”.

Nesse sentido, destacou a importância da CAF no financiamento de projetos estratégicos que são o centro da competitividade da região.

Previsibilidade, coordenação e visão de longo prazo

O encerramento do encontro ficou a cargo de Janet Rea, representante da CAF no Uruguai, que mencionou que “o evento deixou uma mensagem muito clara de que precisamos de previsibilidade, eficiência, melhores condições de navegação, coordenação entre os países, infraestrutura adequada, regras claras e uma visão de longo prazo. Para a CAF, essa agenda é prioritária, e queremos ajudá-los com financiamento, conhecimento técnico e capacidade de articulação, contribuindo para transformar todas essas necessidades em projetos concretos, sustentáveis e financiáveis”.

Acrescentou que, na CAF do Uruguai, “continuaremos trabalhando para ser o lar e a ponte de todas essas iniciativas. Lar para manter aberto o diálogo e ponte entre os governos, o setor privado, organismos regionais e atores financeiros, porque integrar nossa região significa transformar nossas fronteiras em conexões, nossos rios em corredores de desenvolvimento e nossos projetos nacionais em oportunidades compartilhadas”.

Uma agenda de trabalho conjunto para a região

Essa atividade se soma a outras iniciativas promovidas pela CAF para fomentar o desenvolvimento econômico, social e sustentável dos países da América Latina e do Caribe por meio do trabalho conjunto entre a organização e as nações da região.