Tendências do comércio internacional de bens (outubro dezembro de 2023)



A Secretaria-Geral da ALADI elabora indicadores que preveem o comportamento do comércio intrarregional e das exportações e importações de seus países-membros de e para o resto do mundo, com o propósito de facilitar a tomada de decisões dos agentes econômicos.

Principais variáveis que influenciam na evolução do comércio internacional de bens dos países-membros da ALADI

O comércio internacional de bens entre os países-membros da ALADI é influenciado por diversos fatores, com destaque para a atividade econômica, tanto dentro da região quanto de seus principais sócios comerciais, os preços internacionais dos produtos básicos, as tendências dos preços internos e as flutuações nas taxas de câmbio.

Apresentam-se abaixo as mudanças mais relevantes nestas variáveis durante o último trimestre de 2023, e as projeções para 2024 elaboradas por organismos internacionais e analistas consultados pelos bancos centrais dos países-membros.

  • Atividade econômica nos países-membros da ALADI

Conforme estimativas preliminares do FMI, a economia mundial registrou crescimento de 3,1% em 2023, marcando ritmo inferior ao 3,8% atingido em 2022. Para 2024, o FMI projeta crescimento igual ao de 2023, ficando abaixo da média histórica do período 2000-2019. Porém, este panorama mostra otimismo relativo em comparação com as previsões de outubro de 2023, já que o desempenho das economias dos Estados Unidos e da China melhoraram.

A desaceleração da atividade econômica durante 2023 foi mais evidente nos países da América Latina e Caribe. Segundo apuração do FMI, a produção de bens e serviços aumentou 4,2% em 2022, mas apenas 2,5% em 2023. Para 2024, o organismo prevê que esta desaceleração será mais intensa, projetando crescimento de 1,9% para a economia regional. Cabe destacar que as análises realizadas pela CEPAL coincidem com as do FMI, embora seja estimada taxa de crescimento levemente menor para fins de 2023 (2,2%), coincidindo na projeção de 1,9% para 2024.

A perspectiva dos organismos internacionais coincide com as estimativas realizadas pelos analistas locais, que foram consultados nas enquetes de expectativas econômicas realizadas pelos bancos centrais dos países-membros da ALADI. Nesse contexto, o indicador-resumo elaborado pela Secretaria-Geral da ALADI, com base nas diversas enquetes de expectativas econômicas, assinala que a região ALADI registrou crescimento de 2,1% em 2023, e espera-se que esta tendência de desaceleração continue em 2024, com crescimento projetado de 1,9%.

A estimativa da taxa de crescimento para a região ALADI por país reflete uma diversidade de expectativas. De um lado, nas economias de Brasil e México, observou-se uma mudança para expectativas mais otimistas conforme avançava o ano 2023. Isto, graças ao bom desempenho do setor agrícola no Brasil e a uma maior demanda interna, bem como à evolução favorável da economia dos sócios relevantes, como os Estados Unidos no caso do México. Porém, pode-se antecipar que, em 2024, o ritmo de crescimento para ambas as economias será menor ao de 2023, o que contribuirá para a diminuição do crescimento regional, dada sua considerável ponderação no PIB regional.

Do outro lado, os entrevistados são mais otimistas em relação ao ritmo de crescimento esperado para 2024 nas economias de Chile, Peru e Uruguai, e mais pessimistas quanto à economia argentina, para a qual se espera queda de 2,6% no nível de atividades.

Por fim, o desempenho passado e o projetado para a economia mundial é um dos fatores determinantes do comportamento do comércio. Conforme estimativas do FMI, o volume comercial de bens e serviços aumentou apenas 0,4% na escala mundial em 2023, e prevê crescimento de 3,3% em 2024. Este número é bastante semelhante ao crescimento previsto para a economia mundial e fica significativamente abaixo da média histórica do período 2000-2019, que foi de 4,9%.

  • Evolução dos preços internacionais das matérias-primas

No quarto trimestre do ano, os preços internacionais das matérias-primas diminuíram 22,5% em termos reais, em comparação com o mesmo trimestre de 2022. Isto significa diminuição menos pronunciada que a registrada na média do ano de 2023 (28,4%). Os preços do gás natural, fertilizantes e petróleo foram os que registraram maior queda. Os metais preciosos foram os únicos que conseguiram manter seus preços em termos reais durante o ano de 2023.

Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)


Média
Out.-dez./2023-
Out.-dez./2022
Média
Ano 2023-
Ano 2022
Total-22,5-28,4
Alimentos e bebidas-3,2-9,1
Produtos agrícolas-3,8-10,3
Metais básicos1,0-7,8
Metais preciosos 6,10,9
Fertilizantes-46,5-36,7
Combustíveis-37,9-42,9
–Petróleo-18,6-24,5
–Gás natural-64,3-66,8

.
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e Bureau of Labour Statistics.

O FMI considera que, em 2024, os preços dos combustíveis irão diminuir cerca de 2,3%, e os das outras matérias-primas, 0,9%. Isto implicará maior queda em termos reais.

  • Evolução das taxas de câmbio

A situação atual e as perspectivas futuras do nível de atividade econômica, e as políticas fiscais e monetárias de curto prazo, tiveram impacto significativo nos mercados cambiais. Durante o último trimestre de 2023, observaram-se importantes movimentos nas principais divisas: o euro se valorizou ainda mais em relação ao dólar, se comparado à média anual. Já na economia chinesa, as medidas de incentivo econômico, como a redução das taxas de juro, contribuíram para uma menor desvalorização do renminbi durante o mesmo período.

Nos países da região ALADI, a aceleração da inflação levou à implementação de medidas destinadas a manter o ritmo de crescimento dos preços ao consumidor, dentre elas, que a maioria dos bancos centrais dos países-membros aumente as taxas de juro. Contudo, a desaceleração da inflação durante 2023 levou ao fim do aumento das taxas e, na maioria dos casos, as reduziu. Isto foi evidente em países como Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai.

Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)

País ou região Média
Out.-dez./2023-
Out.-dez./2022
Média
Ano 2023-
Ano 2022
Argentina164122,9
Bolívia00
Brasil-5,8-3,3
Chile-2,1-3,8
Colômbia-15,41,7
Cuba 0 0
México-10,9-11,8
Paraguai2,94,5
Peru-2,9-2,4
Uruguai-1,2-5,8
Venezuela226,7329,2
China1,65,2
Zona Euro-5,1-2,7
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Banco Central de Chile.
  • Comportamento dos preços ao consumidor

Durante o último trimestre do ano 2023, como no resto ano, observou-se diminuição no ritmo de crescimento dos preços ao consumidor, decorrente das políticas fiscais e monetárias implementadas e de seu impacto na demanda, bem como da queda, em termos reais, dos preços internacionais das matérias-primas. No caso das economias dos principais sócios comerciais extrarregionais da ALADI, em 2023, a taxa de inflação experimentou desaceleração significativa, e o FMI prevê redução da inflação, em 2024, até atingir 2%.

As economias da região ALADI também registraram diminuição no ritmo de crescimento dos preços ao consumidor, que passou de 8,1% em 2022 para 4,9% em 2023, menos na Argentina, onde a inflação aumentou em 2023.

Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

País Fim do período
2023
Fim do período
2022
Média
2023
Argentina211,494,8133,5
Bolívia2,13,12,6
Brasil4,65,84,6
Chile3,912,87,6
Colômbia9,313,111,3
Cuba31,339,139,9
Equador1,43,72,2
México4,77,86,0
Panamá1,92,01,5
Paraguai3,78,14,6
Peru3,28,56,5
Uruguai5,18,35,9
Venezuela189,8234,1337,2
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados dos Bancos Centrais e Institutos de Estatísticas dos países-membros.

Exportações de bens dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno de exportações totais de bens da Aladi, que mede a evolução das vendas em dólares de bens originários de seus treze países-membros para o mundo, mostrou leve diminuição de 0,3% no trimestre outubro-dezembro de 2023, em comparação com o mesmo período de 2022. Porém, durante o ano de 2023, aumentou 0,9%, em comparação com o ano anterior.

Este crescimento moderado foi alavancado principalmente pelas exportações de Brasil e México, que mostraram rendimento positivo. Em contraposição, na maioria dos países da região ALADI, houve diminuições nos valores exportados durante o mesmo período.

Quando se ajusta o indicador eliminando as variações associadas a movimentos periódicos ou sazonais, evidencia-se que, no quarto trimestre de 2023, houve queda de 0,3% no montante exportado de bens pelos países-membros da Aladi para o mundo, em relação com o terceiro trimestre do mesmo ano.

Importações dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno de importações totais de bens da Aladi, que mostra a evolução das compras de bens dos países-membros da ALADI para o mundo, diminuiu 5,3% no quarto trimestre de 2023, em comparação com o mesmo período de 2022.

Ao analisar o comportamento do indicador e eliminar os fatores sazonais que distorcem o comparativo, observa-se diminuição de 6,1% nas compras do exterior durante o quarto trimestre de 2023, em comparação com o trimestre julho-setembro do mesmo ano.

Comércio intrarregional

Por fim, o Indicador oportuno de comércio intrarregional da Aladi revelou diminuição de 6% no quarto trimestre de 2023, se comparado com o mesmo período de 2022. Ao considerar a média do ano 2023, o valor comercializado entre os países-membros da Aladi diminuiu 3,2%.

Por outro lado, a média do valor comercializado pelos países-membros da ALADI durante o quarto trimestre de 2023 caiu 0,5%, em relação à média do valor comercializado no terceiro trimestre do mesmo ano, sem levar em conta fatores sazonais.

Conclusões

  • Desaceleração do crescimento econômico mundial: Em 2023, a economia mundial experimentou desaceleração em seu ritmo de crescimento, e é previsto que esta tendência continue em 2024. Apesar disso, a região ALADI cresceu 2,1% em 2023, mas é esperada queda para 1,9% em 2024, valor significativamente menor que o esperado para a economia mundial (3,1%).
  • Heterogeneidade no crescimento econômico regional: Como em 2023, espera-se que o crescimento da produção de bens e serviços na região ALADI, em 2024, seja muito heterogêneo.
  • Diminuição nos preços internacionais das matérias-primas: Os preços internacionais das matérias-primas registraram importante queda em 2023 em termos reais, e é esperada diminuição adicional em 2024.
  • Inflação estável na região ALADI: Como no resto do mundo, em 2023 os países da região ALADI experimentaram diminuição na taxa de inflação, como resultado da queda dos preços internacionais e das medidas adotadas em matéria fiscal e monetária. Para 2024, é esperado mesmo nível de inflação.
  • Desaceleração no comércio exterior de bens: O valor das exportações de bens dos países-membros da ALADI para o mundo mostrou forte desaceleração em 2023. Ademais, o valor das importações de bens registrou diminuição em 2023.
  • Contração nos valores comerciais intrarregionais: Os valores comerciais entre os países-membros da ALADI se contraíram em 2023.

Dados de gráficas e tabelas

Gráfica 1. Taxa de crescimento do PIB projetada para o ano de 2024
Gráfica 2. Taxa de crescimento esperada do PIB
Gráfica 3. Índice de preços internacionais das matérias-primas (Expressos em termos reais. Base 2017= 100, médias trimestrais)
Gráfica 4. Inflação interanual (%)
Gráfica 5. Indicador oportuno de exportações totais – ALADI
Gráfica 6. Indicador oportuno de importações totais – ALADI
Gráfica 7. Indicador oportuno de comércio intrarregional – ALADI
Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)
Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)
Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

Metodologia e outros documentos