Tendências do comércio internacional de bens (outubro dezembro de 2023)



A Secretaria-Geral da ALADI elabora indicadores que preveem o comportamento do comércio intrarregional e das exportações e importações de seus países-membros de e para o resto do mundo, com o propósito de facilitar a tomada de decisões dos agentes econômicos.

Principais variáveis que influenciam na evolução do comércio internacional de bens dos países-membros da ALADI

O comércio internacional de bens entre os países-membros da ALADI é influenciado por diversos fatores, com destaque para a atividade econômica, tanto dentro da região quanto de seus principais sócios comerciais, os preços internacionais dos produtos básicos, as tendências dos preços internos e as flutuações nas taxas de câmbio.

Apresentam-se abaixo as mudanças mais relevantes nestas variáveis durante o último trimestre de 2023, e as projeções para 2024 elaboradas por organismos internacionais e analistas consultados pelos bancos centrais dos países-membros.

  • Atividade econômica nos países-membros da ALADI

Conforme estimativas preliminares do FMI, a economia mundial registrou crescimento de 3,1% em 2023, marcando ritmo inferior ao 3,8% atingido em 2022. Para 2024, o FMI projeta crescimento igual ao de 2023, ficando abaixo da média histórica do período 2000-2019. Porém, este panorama mostra otimismo relativo em comparação com as previsões de outubro de 2023, já que o desempenho das economias dos Estados Unidos e da China melhoraram.

A desaceleração da atividade econômica durante 2023 foi mais evidente nos países da América Latina e Caribe. Segundo apuração do FMI, a produção de bens e serviços aumentou 4,2% em 2022, mas apenas 2,5% em 2023. Para 2024, o organismo prevê que esta desaceleração será mais intensa, projetando crescimento de 1,9% para a economia regional. Cabe destacar que as análises realizadas pela CEPAL coincidem com as do FMI, embora seja estimada taxa de crescimento levemente menor para fins de 2023 (2,2%), coincidindo na projeção de 1,9% para 2024.

A perspectiva dos organismos internacionais coincide com as estimativas realizadas pelos analistas locais, que foram consultados nas enquetes de expectativas econômicas realizadas pelos bancos centrais dos países-membros da ALADI. Nesse contexto, o indicador-resumo elaborado pela Secretaria-Geral da ALADI, com base nas diversas enquetes de expectativas econômicas, assinala que a região ALADI registrou crescimento de 2,1% em 2023, e espera-se que esta tendência de desaceleração continue em 2024, com crescimento projetado de 1,9%.

A estimativa da taxa de crescimento para a região ALADI por país reflete uma diversidade de expectativas. De um lado, nas economias de Brasil e México, observou-se uma mudança para expectativas mais otimistas conforme avançava o ano 2023. Isto, graças ao bom desempenho do setor agrícola no Brasil e a uma maior demanda interna, bem como à evolução favorável da economia dos sócios relevantes, como os Estados Unidos no caso do México. Porém, pode-se antecipar que, em 2024, o ritmo de crescimento para ambas as economias será menor ao de 2023, o que contribuirá para a diminuição do crescimento regional, dada sua considerável ponderação no PIB regional.

Do outro lado, os entrevistados são mais otimistas em relação ao ritmo de crescimento esperado para 2024 nas economias de Chile, Peru e Uruguai, e mais pessimistas quanto à economia argentina, para a qual se espera queda de 2,6% no nível de atividades.

Por fim, o desempenho passado e o projetado para a economia mundial é um dos fatores determinantes do comportamento do comércio. Conforme estimativas do FMI, o volume comercial de bens e serviços aumentou apenas 0,4% na escala mundial em 2023, e prevê crescimento de 3,3% em 2024. Este número é bastante semelhante ao crescimento previsto para a economia mundial e fica significativamente abaixo da média histórica do período 2000-2019, que foi de 4,9%.

  • Evolução dos preços internacionais das matérias-primas

No quarto trimestre do ano, os preços internacionais das matérias-primas diminuíram 22,5% em termos reais, em comparação com o mesmo trimestre de 2022. Isto significa diminuição menos pronunciada que a registrada na média do ano de 2023 (28,4%). Os preços do gás natural, fertilizantes e petróleo foram os que registraram maior queda. Os metais preciosos foram os únicos que conseguiram manter seus preços em termos reais durante o ano de 2023.

Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)


Média
Out.-dez./2023-
Out.-dez./2022
Média
Ano 2023-
Ano 2022
Total-22,5-28,4
Alimentos e bebidas-3,2-9,1
Produtos agrícolas-3,8-10,3
Metais básicos1,0-7,8
Metais preciosos 6,10,9
Fertilizantes-46,5-36,7
Combustíveis-37,9-42,9
–Petróleo-18,6-24,5
–Gás natural-64,3-66,8

.
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e Bureau of Labour Statistics.

O FMI considera que, em 2024, os preços dos combustíveis irão diminuir cerca de 2,3%, e os das outras matérias-primas, 0,9%. Isto implicará maior queda em termos reais.

  • Evolução das taxas de câmbio

A situação atual e as perspectivas futuras do nível de atividade econômica, e as políticas fiscais e monetárias de curto prazo, tiveram impacto significativo nos mercados cambiais. Durante o último trimestre de 2023, observaram-se importantes movimentos nas principais divisas: o euro se valorizou ainda mais em relação ao dólar, se comparado à média anual. Já na economia chinesa, as medidas de incentivo econômico, como a redução das taxas de juro, contribuíram para uma menor desvalorização do renminbi durante o mesmo período.

Nos países da região ALADI, a aceleração da inflação levou à implementação de medidas destinadas a manter o ritmo de crescimento dos preços ao consumidor, dentre elas, que a maioria dos bancos centrais dos países-membros aumente as taxas de juro. Contudo, a desaceleração da inflação durante 2023 levou ao fim do aumento das taxas e, na maioria dos casos, as reduziu. Isto foi evidente em países como Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai.

Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)

País ou região Média
Out.-dez./2023-
Out.-dez./2022
Média
Ano 2023-
Ano 2022
Argentina164122,9
Bolívia00
Brasil-5,8-3,3
Chile-2,1-3,8
Colômbia-15,41,7
Cuba 0 0
México-10,9-11,8
Paraguai2,94,5
Peru-2,9-2,4
Uruguai-1,2-5,8
Venezuela226,7329,2
China1,65,2
Zona Euro-5,1-2,7
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Banco Central de Chile.
  • Comportamento dos preços ao consumidor

Durante o último trimestre do ano 2023, como no resto ano, observou-se diminuição no ritmo de crescimento dos preços ao consumidor, decorrente das políticas fiscais e monetárias implementadas e de seu impacto na demanda, bem como da queda, em termos reais, dos preços internacionais das matérias-primas. No caso das economias dos principais sócios comerciais extrarregionais da ALADI, em 2023, a taxa de inflação experimentou desaceleração significativa, e o FMI prevê redução da inflação, em 2024, até atingir 2%.

As economias da região ALADI também registraram diminuição no ritmo de crescimento dos preços ao consumidor, que passou de 8,1% em 2022 para 4,9% em 2023, menos na Argentina, onde a inflação aumentou em 2023.

Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

País Fim do período
2023
Fim do período
2022
Média
2023
Argentina211,494,8133,5
Bolívia2,13,12,6
Brasil4,65,84,6
Chile3,912,87,6
Colômbia9,313,111,3
Cuba31,339,139,9
Equador1,43,72,2
México4,77,86,0
Panamá1,92,01,5
Paraguai3,78,14,6
Peru3,28,56,5
Uruguai5,18,35,9
Venezuela189,8234,1337,2
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados dos Bancos Centrais e Institutos de Estatísticas dos países-membros.

Exportações de bens dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno de exportações totais de bens da Aladi, que mede a evolução das vendas em dólares de bens originários de seus treze países-membros para o mundo, mostrou leve diminuição de 0,3% no trimestre outubro-dezembro de 2023, em comparação com o mesmo período de 2022. Porém, durante o ano de 2023, aumentou 0,9%, em comparação com o ano anterior.

Este crescimento moderado foi alavancado principalmente pelas exportações de Brasil e México, que mostraram rendimento positivo. Em contraposição, na maioria dos países da região ALADI, houve diminuições nos valores exportados durante o mesmo período.

Quando se ajusta o indicador eliminando as variações associadas a movimentos periódicos ou sazonais, evidencia-se que, no quarto trimestre de 2023, houve queda de 0,3% no montante exportado de bens pelos países-membros da Aladi para o mundo, em relação com o terceiro trimestre do mesmo ano.

Importações dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno de importações totais de bens da Aladi, que mostra a evolução das compras de bens dos países-membros da ALADI para o mundo, diminuiu 5,3% no quarto trimestre de 2023, em comparação com o mesmo período de 2022.

Ao analisar o comportamento do indicador e eliminar os fatores sazonais que distorcem o comparativo, observa-se diminuição de 6,1% nas compras do exterior durante o quarto trimestre de 2023, em comparação com o trimestre julho-setembro do mesmo ano.

Comércio intrarregional

Por fim, o Indicador oportuno de comércio intrarregional da Aladi revelou diminuição de 6% no quarto trimestre de 2023, se comparado com o mesmo período de 2022. Ao considerar a média do ano 2023, o valor comercializado entre os países-membros da Aladi diminuiu 3,2%.

Por outro lado, a média do valor comercializado pelos países-membros da ALADI durante o quarto trimestre de 2023 caiu 0,5%, em relação à média do valor comercializado no terceiro trimestre do mesmo ano, sem levar em conta fatores sazonais.

Conclusões

  • Desaceleração do crescimento econômico mundial: Em 2023, a economia mundial experimentou desaceleração em seu ritmo de crescimento, e é previsto que esta tendência continue em 2024. Apesar disso, a região ALADI cresceu 2,1% em 2023, mas é esperada queda para 1,9% em 2024, valor significativamente menor que o esperado para a economia mundial (3,1%).
  • Heterogeneidade no crescimento econômico regional: Como em 2023, espera-se que o crescimento da produção de bens e serviços na região ALADI, em 2024, seja muito heterogêneo.
  • Diminuição nos preços internacionais das matérias-primas: Os preços internacionais das matérias-primas registraram importante queda em 2023 em termos reais, e é esperada diminuição adicional em 2024.
  • Inflação estável na região ALADI: Como no resto do mundo, em 2023 os países da região ALADI experimentaram diminuição na taxa de inflação, como resultado da queda dos preços internacionais e das medidas adotadas em matéria fiscal e monetária. Para 2024, é esperado mesmo nível de inflação.
  • Desaceleração no comércio exterior de bens: O valor das exportações de bens dos países-membros da ALADI para o mundo mostrou forte desaceleração em 2023. Ademais, o valor das importações de bens registrou diminuição em 2023.
  • Contração nos valores comerciais intrarregionais: Os valores comerciais entre os países-membros da ALADI se contraíram em 2023.

Dados de gráficas e tabelas

Gráfica 1. Taxa de crescimento do PIB projetada para o ano de 2024
Gráfica 2. Taxa de crescimento esperada do PIB
Gráfica 3. Índice de preços internacionais das matérias-primas (Expressos em termos reais. Base 2017= 100, médias trimestrais)
Gráfica 4. Inflação interanual (%)
Gráfica 5. Indicador oportuno de exportações totais – ALADI
Gráfica 6. Indicador oportuno de importações totais – ALADI
Gráfica 7. Indicador oportuno de comércio intrarregional – ALADI
Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)
Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)
Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

Metodologia e outros documentos


Tendências do comércio internacional de bens (julho-setembro de 2023)



A Secretaria-Geral da ALADI elabora indicadores que preveem o comportamento do comércio intrarregional e das exportações e importações de seus países-membros de e para o resto do mundo, com o propósito de facilitar a tomada de decisões dos agentes econômicos.

Principais variáveis que repercutem no andamento do comércio internacional dos países-membros da ALADI

O comércio internacional de bens dos países-membros da ALADI é determinado por um conjunto de variáveis, a saber: atividade econômica dos países-membros da ALADI e de alguns de seus principais sócios comerciais, preços internacionais dos produtos básicos, e trajetórias dos preços internos e das taxas de câmbio. Detalham-se abaixo as principais mudanças registradas nas variáveis no terceiro trimestre do ano.

  • Atividade econômica nos países-membros da ALADI

A desaceleração econômica prevista para 2023 por diversos organismos internacionais (FMI, CEPAL) começou a se materializar no primeiro semestre na maioria das economias do mundo, embora não com a mesma intensidade nos diferentes países ou regiões. As expectativas dos operadores econômicos também foram variando: no terceiro trimestre do ano, nos Estados Unidos os operadores esperavam desaceleração econômica menor à prevista originalmente, enquanto as expectativas eram menos auspiciosas para China e, especialmente, para a Eurozona.

Por sua vez, a desaceleração esperada no ritmo de crescimento das economias dos países-membros da ALADI em 2023 também começou a se materializar. As enquetes sobre expectativas econômicas realizadas pelos bancos centrais dos países-membros indicavam que, em setembro, os entrevistados esperavam que a região ALADI aumentasse 1,9% em 2023, em vez do 4,1% registrado em 2022. Ainda assim, no terceiro trimestre, as expectativas foram mais otimistas do que no final do ano passado e no primeiro semestre de 2023. Isto porque era prevista desaceleração menos intensa à esperada para Brasil e México, países que, por conta de sua contribuição ao produto interno bruto da região, determinaram aumento nas cifras na região ALADI. Porém, a situação não foi homogênea. Em países como Chile e Uruguai, por exemplo, o crescimento esperado da atividade para 2023 foi se deteriorando e, no caso da Argentina, as expectativas mostram maior pessimismo, antecipando recessão econômica.

A desaceleração no ritmo de crescimento nas economias dos principais demandantes de produtos a escala mundial, junto com o aumento dos custos de crédito e de diferentes medidas fiscais para restringir a demanda, determinou estagnamento das quantidades comercializadas de bens em todo o mundo, e queda nos preços das matérias primas.

  • Evolução dos preços internacionais das matérias-primas

No terceiro trimestre deste ano, os preços internacionais das matérias-primas caíram 35,4% em termos reais, em comparação ao mesmo trimestre de 2022. A queda foi liderada pelos preços do gás natural, dos fertilizantes e do petróleo, embora também tenha afetado os alimentos e bebidas, e os produtos agrícolas.

Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)


Média
Jul.-set./2023-
Jul.-set./2022
Média
Jul.-set./2023-
Abr.-jun./2023
Média
Jul.-set./2023-
Out.-dez./2022
Total-35,4-4,9-22,4
Alimentos e bebidas-5,6-3,5-3,1
Produtos agrícolas-6,8-3,3-3,7
Metais básicos1,1-3,71,1
Metais preciosos 6,2 -2,9 6,2
Fertilizantes-38,0-11,0-46,4
Combustíveis-54,2-6,5-37,8
–Petróleo-27,2-4,4-18,5
–Gás natural-80,2-5,9-64,3

.
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e Bureau of Labour Statistics.
  • Evolução das taxas de câmbio

O aumento das taxas de juro a escala internacional e a diferença em matéria de desempenho econômico determinaram que, durante o terceiro trimestre do ano e em relação com o mesmo trimestre de 2022, o euro se valorizasse em 7,2% e a moeda chinesa se desvalorizasse 6% em relação com o dólar.

Quanto aos países da ALADI, como revela a tabela 2, o comportamento foi díspar durante o terceiro trimestre. Dos onze países da ALADI cujas economias não utilizam o dólar como moeda, sete fortaleceram suas moedas em relação ao dólar no período julho-setembro 2023, respeito do mesmo período de 2022. Esta situação contrasta com a de Venezuela, Argentina e Paraguai, cujas moedas se desvalorizaram em relação à divisa estadunidense no mesmo período. As moedas de Bolívia e Cuba não registraram variações.

Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)

País ou região Média
Jul.-set./2023-
Jul.-set./2022
Média
Jul.-set./2023-
Abr.-jun./2023
Média
Jul.-set./2023-
Out.-dez./2022
Argentina129,53491,2
Bolívia0,00,00,0
Brasil-7,1-1,6-7,3
Chile-8,26,24,8
Colômbia-7,5-8,5-15,9
Cuba 0,0 0,0 0,0
México-15,8-3,6-13,4
Paraguai5,60,91,3
Peru-5,6-0,8-5,6
Uruguai-7,1-2,0-5,1
Venezuela369,320,7187,1
China5,93,31,8
Zona Euro-7,2-0,1-6,3
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Banco Central de Chile.
  • Comportamento dos preços ao consumidor

Nos últimos doze meses, finalizados em setembro de 2023, foi registrada uma marcada desaceleração no ritmo de crescimento dos preços ao consumidor nas principais economias do mundo, o que indica que as medidas adotadas para reduzir a inflação estão dando resultado.

No caso dos países-membros da ALADI, como mostra a tabela 3, o comportamento da inflação, medida pela variação dos preços ao consumidor, foi muito heterogêneo. O crescimento dos preços ao consumo desacelerou-se na maioria dos países, salvo na Argentina, Cuba e Venezuela.

Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

País ou região Até setembro 2023 Até dezembro 2022 Até setembro 2022
Argentina138,394,883,0
Bolívia2,13,11,9
Brasil5,2 5,87,2
Chile5,112,813,7
Colômbia1113,111,4
Cuba45,539,137,2
Equador2,23,74,1
México4,57,88,7
Panamá2,32,02,0
Paraguai3,58,19,3
Peru5,08,58,5
Uruguai3,98,310,0
Venezuela317,6234,1157,1
ALADI*5,47,88,6
(*) Não inclui nem Argentina nem Venezuela. Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados de organismos oficiais dos países-membros.

Exportações dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno de exportações totais de bens da Aladi, que mede a evolução das vendas em dólares de bens de seus treze países-membros para o mundo, diminuiu 1,4% no trimestre julho-setembro de 2023, em comparação com o mesmo trimestre de 2022.

O indicador, medido em termos sazonalizados —isto é, sem levar em conta as oscilações no comportamento do indicador associadas a movimentos periódicos ou sazonais— no terceiro trimestre de 2023, registrou queda de 1,7% no montante exportado de bens pelos países-membros da Aladi para o mundo, em relação com o segundo trimestre de 2023.

Importações dos países-membros da ALADI

Por sua vez, o Indicador oportuno de importações totais de bens da Aladi, que mostra a evolução das compras de bens que realizam os países-membros da ALADI do resto do mundo, caiu 11,2% no terceiro trimestre de 2023, se comparado ao mesmo período de 2022.

Ao analisar o comportamento do indicador, eliminando os fatores sazonais que afetam a comparação, observa-se que as compras para o exterior diminuíram 5,6% no terceiro trimestre respeito ao trimestre anterior.

Comércio intrarregional

Por fim, o Indicador oportuno de comércio intrarregional da Aladi caiu 12,6% no terceiro trimestre de 2023, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o valor médio comercializado pelos países-membros da ALADI durante o terceiro trimestre praticamente se manteve (-0,04%), em relação ao valor médio comercializado no período abril-junho de 2023, sem levar em conta fatores sazonais.

Em conclusão, durante o trimestre julho-setembro de 2023, o comércio internacional de bens dos países-membros da ALADI entre eles e com o resto do mundo mostrou contração significativa em relação com o mesmo trimestre do ano anterior e, também, em comparação com o trimestre anterior.


Dados de gráficas e tabelas

Gráfica 1. Taxa de crescimento esperada do PIB para 2023
Gráfica 2. Índice de preços internacionais das matérias-primas (Expressos em termos reais. Base 2017= 100, médias trimestrais)
Gráfica 3. Inflação interanual (%)
Gráfica 4. Indicador oportuno de exportações totais – ALADI
Gráfica 5. Indicador oportuno de importações totais – ALADI
Gráfica 6. Indicador oportuno de comércio intrarregional – ALADI
Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)
Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)
Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

Metodologia e outros documentos


Tendências do comércio internacional de bens (abril-junho de 2023)



A Secretaria-Geral da ALADI elabora indicadores que preveem o comportamento do comércio intrarregional e das exportações e importações de seus países-membros de e para o resto do mundo, com o propósito de facilitar a tomada de decisões dos agentes econômicos.

Principais variáveis que repercutem no andamento do comércio internacional dos países-membros da ALADI

A produção de bens e serviços de um país —e de seus principais parceiros comerciais—, os preços internacionais dos produtos básicos e a evolução dos preços internos e das taxas de câmbio são algumas das variáveis que, no curto prazo, condicionam a oferta e a demanda de bens que os países-membros da ALADI comercializam entre si e com o resto do mundo. Por esse motivo, revisa-se o comportamento recente das variáveis ou fatores mencionados.

  • Atividade econômica nos países-membros da ALADI

A atividade econômica mundial continua mostrando sinais de desaceleração. O FMI, em sua última atualização, prevê que a taxa de crescimento global será de 3% em 2023, menor do que em 2022 (3,5%) e mais distante das médias históricas (3,8% no período de 2000-2019).

A desaceleração econômica mundial está tendo impacto diferente em cada região do mundo. Nas economias avançadas, por exemplo, nos Estados Unidos, a atividade econômica continuou mostrando sinais de fortaleza durante o primeiro semestre deste ano, apesar dos sucessivos aumentos nas taxas de juro realizados pela Reserva Federal. Isto levou a uma correção para cima nas projeções de crescimento da economia estadunidense feitas pelo FMI e por diversos analistas. Entretanto, nas economias emergentes, a desaceleração econômica da China no primeiro semestre do ano foi maior do que o esperado, forçando uma correção para baixo das projeções de crescimento econômico chinês para este ano. Essa situação despertou preocupação em todo o mundo, devido ao impacto que um ritmo mais lento de crescimento da economia chinesa teria sobre a economia mundial e, em particular, sobre os preços e as quantidades de matérias-primas comercializadas em escala internacional.

Condições globais de crédito mais restritas, preços internacionais mais baixos e crescimento mais lento nas economias dos principais parceiros comerciais exacerbam os problemas econômicos internos, levando a uma desaceleração no ritmo de crescimento nos países da América Latina, e da ALADI em particular. De acordo com o FMI, as economias da América Latina e Caribe aumentaram 4,1% em 2022 e, neste ano, terão crescimento mais lento, chegando a 2,3%.

Na mesma linha, a região ALADI, que aumentou 3,9% em 2022, crescerá mais lentamente em 2023, segundo previsões de organizações internacionais e de analistas econômicos e financeiros consultados por diversos bancos centrais dos países-membros. Nesse sentido, pesquisas realizadas por bancos centrais —de países que representam 85% do PIB total da região ALADI— indicam que, em setembro, os entrevistados esperavam que a região ALADI crescesse 1,5% em 2023, ou seja, menos da metade do que em 2022.

O gráfico 1 mostra como os entrevistados pelos bancos centrais têm variado suas expectativas de crescimento para 2023 e como isso afeta a taxa de crescimento esperada para a região ALADI. Nesse sentido, embora a taxa de crescimento esperada para 2023 (1,5%) seja notoriamente menor do que a de 2022 (3,9%), nos últimos meses as expectativas melhoraram, devido ao fato de os analistas consultados pelos bancos centrais terem corrigido para cima suas estimativas de crescimento para as economias do Brasil e do México, que representam parte significativa do PIB da região, em linha com as projeções feitas pelo FMI. Porém, uma análise do que acontece no resto dos países —onde as expectativas de crescimento se deterioraram ou permanecem estáveis em relação a dezembro de 2022— sugere que, em 2023, alguns países poderiam sofrer uma desaceleração do crescimento mais acentuada do que o previsto e, inclusive, entrar em recessão.

  • Evolução dos preços internacionais das matérias-primas

No segundo trimestre deste ano, os preços internacionais das matérias-primas caíram 32,5% em termos reais, em comparação com o mesmo trimestre de 2022. A diminuição nos preços das matérias-primas é generalizada; os preços do gás natural, fertilizantes e petróleo registraram as maiores quedas.

Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)


Média
Abr.-jun./2023-
Abr.-jun./2022
Média
Abr.-jun./2023-
Jan.-mar./2023
Média
Abr.-jun./2023-
Out.-dez./2022
Total-32,5-9,4-18,4
Alimentos e bebidas-15,6-2,00,4
Produtos agrícolas-16,8-2,0-0,3
Metais básicos-17,0-10,75,0
Metais preciosos – 0,4 3,1 9,3
Fertilizantes-43,9-26,4-40,2
Combustíveis-45,7-14,7-33,5
–Petróleo-32,4-5,1-14,7
–Gás natural-65,0-32,1-62,0

.
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e Bureau of Labour Statistics.
  • Evolução das taxas de câmbio

Nos mercados de câmbio, o aumento das taxas de juro nos Estados Unidos e na Europa, e sua diminuição na China, é um dos fatores que explica os movimentos das taxas de câmbio. No trimestre abril-junho de 2023, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o euro se valorizou 2,2% em relação ao dólar estadunidense, enquanto a moeda chinesa se desvalorizou 6%.

Como ilustrado na tabela 2, o comportamento dos países da ALADI foi heterogêneo e nem sempre relacionado ao registrado pelas principais moedas. Essa situação ocorreu, em alguns casos, por conta da impossibilidade de operar com a taxa de câmbio (Equador e Panamá); em outros, devido a medidas de política monetária destinadas a conter a inflação ou, ainda, pela entrada e saída de capitais, como consequência da diferença de taxa de juros. A esse respeito, enquanto as moedas do México, Uruguai, Chile e Peru se valorizaram em relação ao dólar no período de abril-junho de 2023 em comparação com abril-junho de 2022, no último trimestre a tendência de valorização foi generalizada, e abrangeu sete países-membros da ALADI.

Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)

País ou região Média
Abr.-jun./2023-
Abr.-jun./2022
Média
Abr.-jun./2023-
Jan.-mar./2023
Média
Abr.-jun./2023-
Out.-dez./2022
Argentina96,720,342,7
Bolívia0,00,00,0
Brasil0,9-4,6-5,8
Chile-4,8-1,3-12,5
Colômbia13,1-7,1-8,1
Cuba 0,0 0,0 0,0
México-11,7-5,2-10,1
Paraguai5,2-1,00,4
Peru-1,1-3,0-4,9
Uruguai-4,9-1,4-3,2
Venezuela433,813,9137,9
China6,02,5-1,4
Zona Euro-2,2-1,4-6,2
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Banco Central de Chile.

No curto prazo, a valorização das taxas de câmbio tornará os produtos da região menos competitivos, se não forem compensados por movimentos nos preços internacionais e domésticos. Nesse sentido, a desaceleração da economia chinesa e as dificuldades no setor da construção podem afetar negativamente os preços e a demanda de algumas matérias-primas de origem mineral da região ALADI.

Por sua vez, no caso do comércio intrarregional, as economias que contam com esquemas de taxas de câmbio menos flexíveis ou níveis de inflação mais altos terão mais dificuldades para concorrer, em termos de preços, no mercado regional.

  • Comportamento dos preços ao consumidor

Nos últimos doze meses, finalizados em junho de 2023, as medidas tomadas para reduzir a inflação nas principais economias do mundo levaram a uma desaceleração na demanda de bens. Isso, somado a outros fatores, levou à redução dos preços das matérias-primas e a uma desaceleração no ritmo de crescimento dos preços nos Estados Unidos e, em menor escala, na Zona Euro.

No caso dos países-membros da ALADI, como mostra a tabela 3, o comportamento da inflação, medida pela variação dos preços ao consumidor, foi muito heterogêneo. O crescimento dos preços ao consumidor diminuiu na maioria dos países, menos na Argentina, Cuba e Venezuela.

Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

País ou região Até junho 2023 Até dezembro 2023 Até junho 2022
Argentina115,694,864,0
Bolívia2,73,11,8
Brasil3,2 5,811,9
Chile7,612,812,5
Colômbia12,113,19,7
Cuba45,539,128,9
Equador1,73,74,2
México5,17,88,0
Panamá-0,62,05,1
Paraguai4,28,111,5
Peru6,58,58,8
Uruguai6,08,39,3
Venezuela404,4234,1157,2
ALADI*5,17,810,0
(*) Não inclui nem Argentina nem Venezuela. Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados de organismos oficiais dos países-membros.

Exportações dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno de exportações totais de bens da ALADI, que mede a evolução das vendas em dólares de bens de seus treze países-membros para o mundo, diminuiu 3,7% no trimestre abril-junho de 2023, em comparação com o mesmo trimestre de 2022.

Em termos sazonalizados —isto é, sem levar em conta as oscilações no comportamento do indicador associadas a movimentos periódicos ou sazonais— no trimestre abril-junho de 2023, registrou queda de um 1% no montante exportado de bens dos países-membros da ALADI para o mundo, se comparado ao trimestre janeiro-março de 2023.

Importações dos países-membros da ALADI

Por sua vez, o Indicador oportuno de importações totais de bens da ALADI, que mostra a evolução das compras de bens que realizam os países-membros da ALADI para o mundo, caiu 8,2% no segundo trimestre de 2023, em relação ao mesmo período de 2022.

Analisando o comportamento do indicador no segundo trimestre do ano em relação ao primeiro trimestre, eliminando os fatores sazonais que distorcem a comparação, observa-se que as compras no exterior aumentaram 0,6% no trimestre.

Comércio intrarregional

Por fim, o Indicador oportuno de comércio intrarregional da ALADI aumentou apenas 0,6% no segundo trimestre de 2023, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Ademais, a média do valor comercializado pelos países-membros da ALADI durante o segundo trimestre foi 2,7% superior à média do valor comercializado no primeiro trimestre de 2023, sem considerar fatores sazonalizados.

Em conclusão, todos os indicadores oportunos de fluxos de comércio desaceleraram seu ritmo de crescimento no primeiro semestre de 2023.


Dados de gráficas e tabelas

Gráfica 1. Taxa de crescimento esperada do PIB para 2023
Gráfica 2. Índice de preços internacionais das matérias-primas (Expressos em termos reais. Base 2017= 100, médias trimestrais)
Gráfica 3. Inflação interanual (%)
Gráfica 4. Indicador oportuno de exportações totais – ALADI
Gráfica 5. Indicador oportuno de importações totais – ALADI
Gráfica 6. Indicador oportuno de comércio intrarregional – ALADI
Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)
Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)
Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

Metodologia e outros documentos


Tendências do Comércio Internacional de Bens (janeiro-março de 2023)

Último boletim publicado com informações de março de 2023



A Secretaria-Geral da ALADI elabora indicadores que preveem o comportamento do comércio intrarregional e das exportações e importações de seus países-membros de e para o resto do mundo, com o propósito de facilitar a tomada de decisões dos agentes econômicos.

Principais variáveis que repercutem no andamento do comércio internacional dos países-membros da ALADI

A produção de bens e serviços de um país —e de seus principais parceiros comerciais—, os preços internacionais dos produtos básicos e a evolução dos preços internos e das taxas de câmbio são algumas das variáveis que, no curto prazo, condicionam a oferta e a demanda de bens que os países-membros da ALADI comercializam entre si e com o resto do mundo. Por esse motivo, revisa-se o comportamento recente das variáveis ou fatores mencionados.

  • Atividade econômica nos países-membros da ALADI

O Fundo Monetário Internacional atualizou a sua análise sobre a evolução da economia mundial em julho de 2023 e considera que as perspetivas para a economia mundial melhoraram ligeiramente face a outubro do ano passado. No entanto, a agência mantém a estimativa de que a economia mundial desacelere seu crescimento, que passaria de 3,5% em 2022 para 3,0% em 2023. O menor ritmo de crescimento da economia mundial neste ano será explicado principalmente pelo baixo crescimento da das economias que compõem a Zona Euro (0,9% em 2023) e o menor crescimento da economia dos Estados Unidos (1,8%)

Nestas economias, o impacto dos aumentos dos preços internacionais dos produtos alimentares e energéticos, das taxas de juro, constituem alguns dos factores que explicam o abrandamento do nível de atividade econômica.

Ao contrário do que acontece com as economias avançadas, as economias dos países emergentes como um todo manteriam seu ritmo de crescimento (4,0% em 2023). A realidade das economias emergentes é muito heterogênea. Assim, enquanto as economias da China e da Índia serão os grandes motores do crescimento na região asiática e no mundo, com taxas de crescimento estimadas em 5,2% e 6,1%, respectivamente, para este ano; nas economias da América Latina e do Caribe, a taxa de crescimento cairá de 3,9% em 2022 para 1,9% em 2023.

  • Evolução dos preços internacionais das matérias-primas

No primeiro trimestre deste ano, os preços internacionais das matérias-primas recuaram 10,1% em termos reais, em relação ao mesmo trimestre de 2022. A queda dos preços internacionais foi puxada pela redução nos preços de combustíveis e fertilizantes

Segundo o FMI, a queda dos preços das commodities vai continuar neste ano e no próximo. O menor ritmo de crescimento da economia mundial e o aumento das taxas de juros fariam com que, em 2023, o preço dos combustíveis registrasse uma queda de 20,7% em relação aos níveis de 2022, enquanto para o restante das matérias-primas a queda seria 4,8%. Em 2024, a queda dos preços seria amortecida, atingindo 4,8% e 1,4%, respectivamente.

Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)


Média 
Jan-mar./2023-
Out-dez./2022
Média 
Jan-mar./2023-
Jan-mar./2022
Total-9.8-10,1
Alimentos e bebidas2,4-10,8
Produtos agrícolas1,7-12,1
Metais básicos17,5-12,1
Metais preciosos 17,5 -2,4
Adubo 18,7-18,5
Combustíveis-22,0-30,6
–Petróleo -10,1-17,9
–Gás natural-44,1-49,0

.
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e Bureau of Labour Statistics.

Essa redução tem um efeito contraposto nos países da ALADI: por um lado, ela diminui o ingresso de divisas provenientes de exportações dos países produtores e exportadores de alimentos e combustíveis; pelo outro, mitiga a saída de divisas dos países que são fortes importadores deste tipo de bens.

  • Evolução das taxas de câmbio

No trimestre janeiro-março de 2023, em relação ao mesmo período do ano anterior, as moedas da China e da Zona do Euro sofreram desvalorização de 7,8% e 4,8%, respectivamente, em relação ao dólar norte-americano. Essa situação inverte-se se a comparação for feita com relação ao trimestre de outubro a dezembro de 2022.

Com relação aos países da ALADI, como pode ser verificado na tabela 2, o comportamento é heterogêneo e nem sempre relacionado ao registrado pelas principais moedas devido à ausência de possibilidades de operar na taxa de câmbio, em alguns casos, a decisão de desacelerar a taxa de câmbio como forma de conter a inflação interna, bem como as entradas e saídas de capitais derivadas do diferencial de juros.

Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)

País ou regiãoMédia
Jan-mar./2023-
Out-dez./2022
Média
Jan-mar./2023-
Jan-mar./2022
Argentina18,680,6
Bolívia0,00,0
Brasil-1,3-0,9
Chile-11,30,3
Colômbia -1,0 21,7
Cuba0,00,0
México -5,1 -9,0
Paraguai1,44,5
Peru-1,90,4
Uruguai-1,9-9,5
Venezuela108,8405,4
China-3,87,8
Zona Euro-4,94,8
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Banco Central de Chile.

No curto prazo, se a variação da taxa de câmbio não acompanhar a variação dos preços internos menos a inflação dos principais parceiros comerciais, observar-se-á uma perda de competitividade nos produtos e serviços que a região exporta, num momento em que também há um ajuste para baixo nos preços internacionais dos produtos.

  • Comportamento dos preços ao consumidor

Nos últimos doze meses terminados em março de 2023, pode-se constatar que na maioria dos países do mundo a inflação começou a diminuir, como resultado da queda dos preços de alimentos e combustíveis em todo o mundo, mas também, como resultado das políticas adotadas pelas autoridades monetárias para esse fim. Não obstante, na maioria dos casos a desaceleração da inflação é gradual e, nas principais economias do mundo, os valores estão longe das metas estabelecidas.

No caso dos países membros da ALADI, conforme pode ser observado na tabela 3, o comportamento da inflação medida pela variação dos preços ao consumidor foi bastante heterogêneo.

Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

País ou região Março 2022 Dezembro 2022 Março 2023
Argentina55,194,8104,3
Bolivía0,83,12,5
Brasil11,35,85,8
Chile9,412,811,1
Colômbia 8,513,113,3
Cuba21,739,144,5
Equador2,63,72,9
México7,57,86,9
Panamá3,22,01,4
Paraguai10,18,16,4
Peru6,88,58,4
Uruguai9,48,37,3
Venezuela284,7234,1439,6
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados de organismos oficiais dos países-membros.

Exportações dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno das Exportações Totais de Bens – ALADI, que mede a evolução das vendas em dólares de bens de seus treze países membros para o mundo, aumentou 4,5% no primeiro trimestre de 2023, em relação ao mesmo trimestre de 2022.

No entanto, o indicador, medido em termos dessazonalizados —ou seja, sem considerar as oscilações em seu comportamento associadas a movimentos periódicos ou sazonais— mostrou um aumento de apenas 0,45% na quantidade de mercadorias exportadas pelos países membros da ALADI na comparação do primeiro trimestre de 2023 com o último trimestre de 2022.

Importações dos países-membros da ALADI

Por sua vez, o Indicador oportuno de Importações Totais de Bens – ALADI, que mostra a evolução das compras de bens dos países membros da ALADI para o mundo, aumentou 1,4% no período janeiro-março de 2022, em relação ao mesmo período de 2022.

Ao analisar o comportamento do indicador nos primeiros meses do ano e ao fazer a comparação eliminando os fatores sazonais, observa-se que as compras no exterior caíram 1% no trimestre janeiro-março de 2023, em relação ao trimestre outubro-dezembro 2022.

Comércio intrarregional

Finalmente, o Indicador oportuno do Comércio Intrarregional – ALADI aumentou 5,3% no período de outubro a dezembro de 2022, em relação ao mesmo trimestre de 2021. No total do ano de 2022, o comércio intrarregional aumentou 21,4%, também marcando um comportamento positivo, em linha com o apresentado pelas exportações e importações dos países membros com o mundo.

Da mesma forma, o valor médio comercializado pelos países membros da ALADI durante o quarto trimestre diminuiu 6,7% em relação ao valor médio comercializado no período julho-setembro de 2022, sem levar em conta fatores sazonais.

Em conclusão, todos os indicadores oportunos dos fluxos de comércio tiveram um desempenho muito bom em 2022. No entanto, o comportamento evidenciado nos dois últimos trimestres do ano mostra que esse desempenho não poderia ser mantido em 2023.


Dados de gráficas e tabelas

Gráfica 1. Taxa de crescimento do PIB: ALADI e principais parceiros comerciais (em %)
Gráfica 2. Índice de preços internacionais das matérias-primas
Gráfica 3. Inflação interanual (%)
Gráfica 4. Indicador oportuno de exportações totais – ALADI
Gráfica 5. Indicador oportuno de importações totais – ALADI
Gráfica 6. Indicador oportuno de comércio intrarregional – ALADI
Tabela 1. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)
Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)
Tabela 3. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

Metodologia e outros documentos


Tendências do Comércio Internacional de Bens (outubro-dezembro 2022)

Último boletim publicado com informações a dezembro de 2022.



A Secretaria-Geral da ALADI elabora indicadores que preveem o comportamento do comércio intrarregional e das exportações e importações de seus países-membros de e para o resto do mundo, com o propósito de facilitar a tomada de decisões dos agentes econômicos.

Principais variáveis que repercutem no andamento do comércio internacional dos países-membros da ALADI

A produção de bens e serviços de um país —e de seus principais parceiros comerciais—, os preços internacionais dos produtos básicos e a evolução dos preços internos e das taxas de câmbio são algumas das variáveis que, no curto prazo, condicionam a oferta e a demanda de bens que os países-membros da ALADI comercializam entre si e com o resto do mundo. Por esse motivo, revisa-se o comportamento recente das variáveis ou fatores mencionados.

  • Atividade econômica nos países-membros da ALADI

O Fundo Monetário Internacional atualizou sua análise do andamento da economia mundial em abril de 2023. Segundo suas últimas estimativas, a economia mundial cresceu 3,4% em 2022, impulsionada pelo aumento no nível de atividades das “economias emergentes” (4,0%). Nas “economias avançadas”, a taxa de crescimento foi mais baixa (2,7%). O organismo continua prevendo que a economia mundial deve desacelerar seu crescimento em 2023 (de 4% para 2,8%), também como resultado do ritmo menor de crescimento das economias avançadas (1,3%) e, em particular, das que integram a Zona Euro (0,8%).

O FMI prevê ainda uma leve desaceleração no ritmo de crescimento no nível de atividade nas economias emergentes, que passará de 4% em 2022 para 3,9% em 2023. Neste tipo de economias, o crescimento irá experimentar mudanças de composição em relação a 2022, devido à previsão de maior crescimento da economia chinesa e da diminuição do crescimento da Índia e de outros mercados, incluídos os latino-americanos.

No caso dos países da ALADI, em 2022 a produção de bens e serviços finais foi 3,6% superior à registrada em 2021. Para o ano 2023, o FMI prevê que os países-membros da ALADI diminuam seu ritmo de crescimento de forma mais pronunciada que o resto das economias emergentes. Os aumentos nas taxas de juros internacionais e locais, a diminuição dos preços dos combustíveis, a desaceleração da demanda de alguns dos principais parceiros comerciais, os problemas de oferta associados a fatores climáticos e uma menor demanda interna ajudariam a explicar o ritmo mais baixo de crescimento.

Como ilustrado na tabela 1, o crescimento menor esperado não deveria afetar todos os países-membros da ALADI da mesma maneira.

Tabela 1. Taxa de crescimento do produto interno bruto dos países-membros da ALADI (em %)

País2020202120222023
Argentina-9,910,45,20,2
Bolívia8,76,13,21,8
Brasil-3,94,62,90,9
Chile-6,111,72,4-1,0
Colômbia-7,010,77,51,0
Cuba*-10,91,34,03,0
Equador-7,84,23,02,9
México-8,14,83,11,8
Panamá-17,915,310,05,0
Paraguai-0,84,20,24,5
Peru-11,013,62,72,4
Uruguai-6,14,44,92,0
Venezuela-30,00,58,05,0
ALADI-7,16,63,71,3

Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados históricos de organismos oficiais dos países-membros, e de estimativas e projeções do Fundo Monetário Internacional, com exceção da República de Cuba.(*) Para o caso de Cuba, foram utilizados valores históricos correspondentes a ONEI e CEPAL. Os valores para os anos 2022 e 2023 correspondem a projeções realizadas pelo Ministério da Economia e Planejamento da República de Cuba.

A desaceleração prevista no ritmo de crescimento dos países da região e de alguns de seus principais parceiros comerciais é um dos fatores que impedirá que os fluxos de comércio dos países da região possam repetir, em 2023, o bom desempenho de 2022.

  • Evolução dos preços internacionais das matérias-primas

Em 2022, os preços internacionais das matérias-primas aumentaram 23,9% em termos reais, impulsionados pelo crescimento dos preços do petróleo (37,3%), do gás natural (91,7%) e dos fertilizantes (52%), em decorrência da intensificação da guerra da Ucrânia, especialmente na primeira metade do ano.

No último trimestre do ano 2022, os preços internacionais das matérias-primas caíram 3,9% em termos reais, se comparados com o mesmo trimestre de 2021. A queda de preços em termos reais foi praticamente generalizada, com exceção dos preços do petróleo e dos fertilizantes, que aumentaram 9,6% e 10,7%, respectivamente.

Tabela 2. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)

Média do ano 2022/
Média do ano 2021
Média Out.-dez/22-
Média Out.-dez.21
Total23,9-3,9
Alimentos y bebidas5,8-2,7
Produtos agrícolas4,9-4,0
Metais básicos-12,4-15,2
Metais preciosos -9,1 -10,1
Adubo58,310,7
Combustíveis52,0-1,1
–Petróleo37,39,6
–Gás natural91,7-13,9

.
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Fundo Monetário Internacional e do Bureau of Labour Statistics.

Para o ano 2023, o FMI prevê que o menor ritmo de crescimento e o aumento das taxas de juros internacionais consolidem a diminuição dos preços internacionais das matérias-primas. Essa redução acarreta dos efeitos contrapostos nos países da ALADI: por um lado, ela diminui o ingresso de divisas provenientes de exportações dos países produtores e exportadores de alimentos e combustíveis; pelo outro, mitiga a saída de divisas dos países que são fortes importadores deste tipo de bens.

  • Evolução das taxas de câmbio

Em 2022, a moeda chinesa, o euro e as moedas dos países da região ALADI se depreciaram 4,3%, 12,5% e 2,3% respectivamente, em relação ao dólar estadunidense.

Quanto aos países da ALADI, como mostra a tabela 3, o comportamento geral apresenta realidades muito diversas. Alguns países mostraram grande desvalorização de suas moedas em relação ao dólar, medidas em termos nominais (Venezuela, Argentina, Chile e Colômbia); outros valorizaram suas moedas (Uruguai, Brasil e México) e, por fim, houve países cujas moedas se mantiveram inalteradas (Bolívia) ou que, diretamente, não podem variar por serem economias dolarizadas (Equador e Panamá).

Tabela 3. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)

País ou regiãoOut-dez./2022-
Jul.-set./2022
Out.-dez.-22/-
Out.-dez.-21
Promedio 2022/
Promedio 2021
Argentina19,761,337,2
Bolívia0,00,00,0
Brasil0,3-5,8-4,25
Chile-1,111,015,03
Colômbia9,823,813,59
Cuba0,00,00,40
México-2,8-5,1-0,76
Paraguai4,24,72,94
Peru0,2-3,2-1,14
Uruguai-2,1-9,0-5,42
Venezuela61,4141,7100,0
ALADI3,07,52,3
China3,911,34,43
Zona Euro-1,212,212,48
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Banco Central de Chile.
  • Comportamento dos preços ao consumidor

Em 2022, nos países onde a política monetária tinha metas inflacionárias, a inflação se manteve acima dessas metas e, na maioria dos casos, acima dos níveis prévios à pandemia. A diminuição da inflação será um caminho lento, apesar de que as autoridades da maioria dos países tenham implementado, durante 2022, medidas monetárias e fiscais restritivas e apesar de que, na última metade do ano, tenha diminuído a pressão imposta pelos preços internacionais das matérias-primas sobre os preços internos.

No caso dos países-membros da ALADI, como ilustrado na tabela 4, o comportamento da inflação medida pela variação dos preços ao consumidor foi muito heterogêneo. O FMI prevê uma desaceleração da inflação para a maioria dos países.

Tabela 4. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

País ou região Fim do período:
Dezembro de 2021
Fim do período
Dezembro de

2022
Fim do período:
Dezembro de
2023*
Média
2022
Média
2023
*
Argentina50,994,8 88,0 72,498,6
Bolivía0,93,1 3,6 1,74,0
Brasil10,15,85,49,35,0
Chile7,412,85,011,67,9
Colômbia5,613,18,410,210,9
Cuba*77,339,1 n/d n/dn/d
Equador1,93,7 2,3 3,52,5
México7,47,8 5,0 7,96,3
Panamá2,62,0 3,1 2,92,2
Paraguai6,88,14,19,85,2
Peru6,48,53,07,95,7
Uruguai8,08,37,09,17,6
Venezuela686,9155,8**250200,9400,0

Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados de organismos oficiais dos países-membros.(*) Correspondem a estimativas realizadas pelo FMI no World Economic Outlook. Abril 2023.(**) Para o caso da Venezuela, o valor da inflação dos últimos doze meses finalizados em dezembro não está disponível; portanto, foi utilizado o último valor disponível: o valor dos últimos doze meses finalizados em outubro de 2022.

Exportações dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno de exportações totais de bens da ALADI, que mede a evolução das vendas em dólares de bens de seus treze países-membros para o mundo, aumentou 10,8% no quarto trimestre de 2022, em comparação com o mesmo período de 2021. O indicador incrementou-se 16% para o ano inteiro, registrando ótimo desempenho pelo segundo ano consecutivo.

Não obstante, o indicador, medido em termos sazonalizados —isto é, sem levar em conta as oscilações no comportamento do indicador associadas a movimentos periódicos ou sazonais— registrou queda de 1,4% no montante exportado de bens pelos países-membros da ALADI para o mundo, no comparativo do quarto trimestre de 2022 com o terceiro trimestre do mesmo ano.

Importações dos países-membros da ALADI

Por sua vez, o Indicador oportuno de importações totais de bens da ALADI, que mostra a evolução das compras de bens que realizam os países-membros da ALADI do resto do mundo, aumentou 4,8% no quarto trimestre de 2022, se comparado ao mesmo período de 2021. Portanto, este indicador registrou alta de 20,7% em 2022, em relação a 2021.

Ao analisar o comportamento do indicador nos últimos meses do ano, e ao fazer o comparativo eliminado os fatores sazonais, observa-se que as compras do exterior caíram 6,7% no trimestre outubro-dezembro de 2022, em relação ao trimestre julho-setembro do mesmo ano. Tal como aconteceu com o indicador oportuno de exportações de bens, o indicador de importações também diminuiu no último trimestre de 2022. Isto indica que o crescimento do comércio de bens dos países da região com o mundo não poderia continuar com o mesmo ritmo de crescimento registrado em 2022.

Comércio intrarregional

Por fim, o Indicador oportuno de comércio intrarregional da ALADI aumentou 5,3% no período outubro-dezembro de 2022, em comparação com o mesmo trimestre de 2021. No total do ano 2022, o comércio intrarregional aumentou 21,4%, demonstrando comportamento muito positivo, em sintonia com o apresentado pelas exportações e importações dos países-membros com o mundo.

Ademais, o valor comercializado pelos países-membros da ALADI durante o quarto trimestre diminuiu 6,7%, em relação ao valor comercializado no período julho-setembro de 2022, sem considerar fatores sazonalizados.

Em conclusão, todos os indicadores oportunos de fluxos de comércio tiveram ótimo desempenho em 2022. Porém, o comportamento evidenciado nos dois últimos trimestres do ano demostra que tal desempenho não poderia se manter em 2023.


Dados de gráficas e tabelas

Gráfica 1. Taxa de crescimento do PIB: ALADI e principais parceiros comerciais (em %)
Gráfica 2. Índice de preços internacionais das matérias-primas (Expressos em termos reais. Base 2017= 100, médias trimestrais)
Gráfica 3. Inflação interanual (em %)
Gráfica 4. Indicador oportuno de exportações totais – ALADI
Gráfica 5. Indicador oportuno de importações totais – ALADI
Gráfica 6. Indicador oportuno de comércio intrarregional – ALADI
Tabela 1. Taxa de crescimento do produto interno bruto dos países-membros da ALADI (em %)
Tabela 2. Taxa de variação real dos preços internacionais de matérias-primas selecionadas (em %)
Tabela 3. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em em%)
Tabela 4. Variação anual dos preços ao consumidor (em %)

Metodologia e outros documentos


Tendências do Comércio de Bens (julho-setembro 2022)

Último boletim com informações até setembro de 2022.

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A Secretaria-Geral da ALADI elabora indicadores que preveem o comportamento do comércio intrarregional e das exportações e importações de seus países-membros de e para o resto do mundo, com o propósito de facilitar a tomada de decisões dos agentes econômicos.

Principais variáveis que repercutem no andamento do comércio internacional dos países-membros da ALADI

A produção de bens e serviços de um país —e de seus principais parceiros comerciais—, os preços internacionais dos produtos básicos e a evolução dos preços internos e das taxas de câmbio são alguns dos fatores que, no curto prazo, condicionam a oferta e a demanda de bens que os países-membros da ALADI comercializam entre si e com o resto do mundo. Por esse motivo, revisa-se o comportamento recente destas variáveis.

  • Atividade econômica nos países-membros da ALADI

Em outubro de 2022, o Fundo Monetário Internacional revisou suas projeções de crescimento econômico para os países-membros da ALADI, prevendo uma alta nas economias. Assim, a produção de bens e serviços finais da região deve aumentar, ainda neste ano, 3,2% em comparação com 2021, superando a queda de 7,1%, registrada em 2020.

Caso as projeções do Fundo sejam cumpridas, a taxa de crescimento da região deve diminuir neste ano e ainda mais no ano próximo. Tal diminuição seria consequência dos problemas internos e do impacto negativo de três fatos internacionais simultâneos: a guerra na Ucrânia, o baixo ritmo de crescimento da economia chinesa e o aumento das taxas de juros internacionais e internas, em decorrência do aumento da inflação na maioria das economias.

Tabela 1. Taxa de crescimento do produto interno bruto dos países-membros da ALADI (%)

País2020202120222023
Argentina-9,910,44,02,0
Bolívia8,76,13,83,2
Brasil-3,94,62,81,0
Chile-6,111,72,0-1,0
Colômbia-7,010,77,62,2
Cuba*-10,91,3n/dn/d
Equador-7,84,22,92,7
México-8,14,82,11,2
Panamá-17,915,37,54,0
Paraguai-0,84,20,24,3
Peru-11,013,62,72,6
Uruguai-6,14,45,33,6
Venezuela-30,00,56,06,5
ALADI**-7,16,63,21,5
Nota: n/d= Não disponível. Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados históricos de organismos oficiais dos países-membros, bem como estimações e projeções realizadas pelo Fundo Monetário Internacional, exceto a República de Cuba. ()Para o caso de Cuba, foram utilizados valores históricos correspondentes a ONEI e CEPAL. (*) Para os anos 2022 e 2023 não incorpora projeções da República de Cuba. URL utilizadas: FMI:https://www.imf.org/en/Publications/WEO/weo-database/2022/October. CEPAL: https://statistics.cepal.org/portal/cepalstat/perfil-nacional.html?theme=2&country=cub&lang=es ONEI:http://www.onei.gob.cu/node/18247

A desaceleração do crescimento das economias dos países-membros da ALADI e de seus principais parceiros terá impacto negativo no comércio regional e extrarregional. Nesse cenário, o FMI previu aumento do comércio mundial de bens e serviços de 4,3% para este ano, e de 2,5% para ano que vem.

  • Evolución de los precios internacionales de las materias primas

A desaceleração do crescimento das economias do mundo —especialmente da chinesa— e o aumento das taxas de juros no mundo vêm provocando uma diminuição do ritmo de crescimento dos preços nominais das matérias-primas. Para este ano, o FMI prevê incremento real de 29,9% no preço dos combustíveis —isto é, muito abaixo do crescimento real de 58% registrado em 2021—. Para 2023, espera-se uma contração dos preços de 18,2% em termos reais.

Por sua vez, o crescimento nominal dos preços do resto das matérias-primas não bastará para compensar o aumento da inflação, e decorrerá em diminuição real dos preços de 1,4%. A situação será mais profunda em 2023; para o ano próximo, o FMI prevê diminuição dos preços de 12% em termos reais.

  • O comportamento dos preços ao consumidor

O incremento dos preços internacionais, alguns problemas de fornecimentos e uma maior demanda doméstica provocaram forte aceleração no ritmo de crescimento dos preços ao consumidor a partir de 2021. Apesar das medidas monetárias e fiscais implementadas, a inflação, na escala internacional, ainda se mantém acima dos níveis previstos pelas autoridades, reduzindo o poder de compra dos consumidores de bens domésticos e importados.

Os países-membros da ALADI não são alheios a esta situação. Não obstante, a análise deve considerar a situação de, por um lado, os países com inflação baixa e moderada e, pelo outro, daqueles que, antes da aceleração mundial dos preços ao consumidor, já tinham inflação alta ou extremamente alta (Argentina e Venezuela).

Para o caso dos países com inflação baixa ou moderada, as medidas adotadas conduziram a uma desaceleração da inflação, embora ainda se mantenha acima da meta estabelecida.

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Por sua vez, nos países com inflação alta ou extremamente alta, observa-se, no caso da Venezuela, uma pronunciada diminuição no ritmo de crescimento dos preços ao consumidor e, no caso argentino, uma aceleração deste crescimento.

  • Evolução das taxas de câmbion de los tipos de cambio

O aumento das taxas de juro no mundo em um cenário incerto, dentre outros fatores, endureceu as condições de financiamento para governos e empresas.

Esta situação impactou no mercado de câmbios. No terceiro trimestre de 2022, o dólar se fortaleceu em relação ao euro, ao yuan renmimbi e à maioria das moedas dos países-membros da ALADI, em comparação com o segundo trimestre do mesmo ano.

No comparativo com o terceiro trimestre do ano 2021 ou com os últimos doze meses finalizados em setembro, o dólar se fortaleceu frente às moedas de todos os países-membros, menos de Bolívia, Brasil, Uruguai e Venezuela.

Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)

País ou regiãoJulho-set./2022-
Abril-junho/2022
Julho-set./2022-
Julho-set.-21
12 meses a set.-22/-
12 meses a set.-21
Argentina15,039,327,9
Bolívia 0,00,00,0
Brasil7,00,4-2,0
Chile10,220,114,4
Colômbia12,113,99,0
Cuba0,00,032,2
México1,01,10,7
Paraguai0,60,11,2
Peru3,9-3,82,5
Uruguai0,5-5,6-2,4
Venezuela37,8-100,0-100,0
China3,55,90,8
Zona Euro5,817,110,5
Fonte: Secretaria-Geral da ALADI com base em dados do Banco Central de Chile.

Exportações dos países-membros da ALADI

O Indicador oportuno de exportações totais de bens da ALADI, que mede a evolução das vendas em dólares de bens de seus treze países-membros para o mundo, aumentou 15,7% no terceiro trimestre de 2022, em comparação com o mesmo período de 2021.

Em termos sazonalizados, isto é, sem levar em conta as oscilações no comportamento do indicador associadas a movimentos periódicos ou sazonais, o montante exportado de bens dos países-membros da ALADI para o mundo diminuiu 0,1% no terceiro trimestre deste ano, se comparado ao segundo trimestre.

A desaceleração da demanda e a redução de alguns preços de matérias-primas podem explicar a baixa registrada nas exportações dos países-membros da ALADI para o mundo e, caso as projeções se comprovem, podem se aprofundar nos próximos trimestres.

Importações dos países-membros da ALADI

Por sua vez, o Indicador oportuno de importações totais de bens da ALADI, que mostra a evolução das compras de bens que realizam os países-membros da ALADI para o mundo, aumentou 23,8% no terceiro trimestre de 2022, se comparado ao mesmo período de 2021. No entanto, em comparativo feito sem fatores sazonalizados, as compras para o exterior registraram aumento de 0,2% no trimestre julho-setembro de 2022, em relação ao trimestre abril-junho do mesmo ano.

A demanda por produtos importados dos países-membros da ALADI vem se desacelerando e a situação poderia se aprofundar nos próximos meses. Isto, como consequência de uma diminuição no poder de compra de consumidores e produtores, da desvalorização das moedas locais em relação ao dólar na maioria dos países-membros e de um ritmo menor de crescimento das economias.A demanda por produtos importados dos países-membros da ALADI vem se desacelerando e a situação poderia se aprofundar nos próximos meses. Isto, como consequência de uma diminuição no poder de compra de consumidores e produtores, da desvalorização das moedas locais em relação ao dólar na maioria dos países-membros e de um ritmo menor de crescimento das economias.

Comércio intrarregional

O Indicador oportuno de comércio intrarregional da ALADI aumentou 29,3% no período julho-setembro de 2022, em comparação com o mesmo trimestre de 2021. Ademais, a média do valor comercializado pelos países-membros da ALADI durante o terceiro trimestre foi 2% superior à média do valor comercializado no período abril-junho de 2022, sem considerar fatores sazonalizados.


Dados de gráficas e tabelas

Gráfica 1. Taxa de crescimento do PIB: ALADI e principais parceiros comerciais (em %)
Gráfica 2. Índice de preços internacionais das matérias-primas
Gráfica 3. Inflação interanual (%)
Gráfica 4. Inflação interanual na Argentina (%)
Gráfica 5. Inflação interanual na Venezuela (%)
Gráfica 6. Indicador Oportuno de Exportações Totais – ALADI
Gráfica 7. Indicador Oportuno de Importações Totais – ALADI
Gráfica 8. Indicador Oportuno de Comércio Intrarregional – ALADI
Tabela 1. Taxa de crescimento do produto interno bruto dos países-membros da ALADI (%)
Tabela 2. Variação das taxas de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar (em %)

Metodología y otros documentos